Dados da Secretaria de Inspeção do Trabalho mostram crescimento após a pandemia e reforçam alerta sobre segurança no trabalho
O Amazonas registrou 71.805 acidentes de trabalho entre 2016 e 2025, com 351 mortes no mesmo período. Os dados são da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego.
O estado ocupa a 16ª posição no ranking nacional tanto em número de acidentes quanto de óbitos.
Cenário nacional preocupa
Em todo o país, o cenário é de alta. Entre 2016 e 2025, o Brasil acumulou 6,4 milhões de acidentes de trabalho e 27.486 mortes.
Somente em 2025, foram registrados:
- 806.011 acidentes
- 3.644 mortes (maior número da série histórica)
Os impactos também se refletem no afastamento dos trabalhadores:
- Mais de 106 milhões de dias de afastamento temporário
- 249 milhões de dias perdidos por sequelas permanentes ou mortes
Crescimento após a pandemia
Após queda em 2020, durante a pandemia de COVID-19, os registros voltaram a crescer de forma contínua.
Entre 2020 e 2025:
- Acidentes aumentaram 65,8%
- Mortes cresceram 60,8%
Apesar da redução na taxa proporcional (em relação ao número de trabalhadores formais), o aumento absoluto indica que a expansão do emprego não foi acompanhada por melhorias equivalentes nas condições de segurança.
Para o auditor-fiscal Alexandre Scarpelli, os números mostram a necessidade urgente de prevenção.
“É fundamental fortalecer a cultura de prevenção e aprimorar as condições de trabalho para reduzir acidentes e salvar vidas”, afirmou.
Setores mais afetados
Os dados revelam diferenças importantes entre áreas de atuação:
- Saúde: lidera em número de acidentes, com destaque para o atendimento hospitalar
- Transporte rodoviário de carga: setor mais letal, com 2.601 mortes no período
- Construção civil: combina alto número de acidentes e elevada mortalidade
Entre as profissões:
- Técnicos de enfermagem registram mais acidentes
- Motoristas de caminhão lideram em mortes (4.249 óbitos em 10 anos)
Risco elevado em algumas atividades
Em áreas como montagem industrial, o risco é considerado extremo. A taxa de incidência pode chegar a 80 mil acidentes por 100 mil trabalhadores, indicando exposição contínua a situações perigosas.
O levantamento reforça a necessidade de ações integradas entre governo, empresas e trabalhadores para reduzir acidentes e melhorar as condições de segurança no ambiente de trabalho.

