Política e Economia

Foto: Reuters/Ueslei Marcelino
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Recomendação sugere construção até julho de 2026, com participação das famílias e reconhecimento do local como patrimônio cultural

O Ministério Público Federal (MPF) e entidades indígenas e de imprensa recomendaram ao governo federal a construção de um memorial em homenagem ao indigenista Bruno Pereira e ao jornalista britânico Dom Phillips, assassinados em 2022 às margens do Rio Itacoaí, no Vale do Javari (AM).

O pedido é apoiado por organizações como a Univaja, Repórteres Sem Fronteiras (RSF), ARTIGO 19, OPI, Instituto Dom Phillips e Abraji. A recomendação foi apresentada nesta quinta-feira (7) e prevê que a obra seja concluída até 3 de julho de 2026, data que marca o fim da Mesa de Trabalho Conjunta da CIDH.

Detalhes da proposta

  • O memorial deve ser construído no local do crime.
  • O projeto precisa incluir consulta e participação dos familiares.
  • O Iphan deve reconhecer o espaço como patrimônio cultural, pelo valor simbólico e espiritual para os povos indígenas.
  • A iniciativa integra um plano de ação da CIDH, que prevê retratação do Estado e criação de espaços de memória para evitar novas violações.

Contexto

Bruno e Dom desapareceram em 5 de junho de 2022, durante expedição na terra indígena Vale do Javari. Os restos mortais foram encontrados em 15 de junho, após investigações que apontaram o envolvimento de uma organização criminosa ligada à pesca ilegal.

O suposto mandante, Rubén Dário (“Côlombia”), e outros pescadores foram denunciados pelo MPF por homicídio e ocultação de cadáver.

Posição das autoridades

O Comando Militar da Amazônia e a Marinha alegaram dificuldades técnicas e logísticas para a construção, como variação do nível do rio e complexidade do solo. Para as entidades, porém, tais obstáculos são secundários diante da necessidade de reparação simbólica e do dever estatal de não repetição.

As autoridades têm 30 dias para responder se vão cumprir a recomendação.

O memorial busca preservar a memória de Bruno e Dom, reforçar a verdade histórica e simbolizar o compromisso do Estado em proteger defensores da Amazônia e da liberdade de imprensa.

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