Na abertura do 59º Festival de Parintins, galeras azul e vermelha montam operações de revezamento e acampam dias antes para assegurar posição privilegiada
A rivalidade entre Caprichoso e Garantido começa muito antes do primeiro toque do tambor na arena. Nesta sexta-feira (26), os arredores do Bumbódromo amanheceram tomados por filas formadas pelas galeras, torcidas oficiais dos bois. Para garantir o melhor lugar e a visão perfeita do espetáculo, os torcedores montam verdadeiras operações que envolvem dezenas de pessoas e longas esperas.
Mesmo com a orientação de que o acesso só seria permitido a partir das 8h, muitos fãs chegaram horas antes e organizaram estratégias de revezamento.
Galera encarnada
Integrante da torcida do Garantido, Anne Canézis relata que o grupo está na fila desde o dia 13 de junho, logo após a saída tradicional do boi vermelho no Dia dos Namorados.
“A gente trabalhou num projeto de revezamento. Eram quatro turnos: de manhã, de tarde, de noite e de madrugada. Ficavam seis pessoas em cada turno, sucessivamente”, explicou.
Os torcedores chegaram a acampar em praças e ruas próximas, como a Rua Ingá, até a abertura dos portões.
Nação azulada
Do lado do Caprichoso, a cena se repete. Frank Siqueira, morador de Parintins, chegou com o grupo às 5h da manhã desta sexta-feira.
“Já tem gente revezando há alguns dias na fila. Somos daqui e todo ano a gente vem. A expectativa está alta, como sempre, para ver o Caprichoso. O boi está lindo e é só esperar”, afirmou.
O espetáculo
Considerado o maior espetáculo folclórico a céu aberto do mundo, o Festival de Parintins chega à sua 59ª edição após mais de cinco décadas de história. As apresentações começam às 20h (21h em Brasília) e têm duração de até duas horas e meia, sendo avaliadas por um júri especializado em 21 quesitos.
A disputa entre azul e vermelho não se limita à arena: ela se estende às ruas e filas, onde a paixão das galeras transforma a espera em parte do ritual que mantém viva a tradição do festival.



