Corpo de Bombeiros prevê reforço de até 800 agentes no pico da estiagem e admite risco de queimadas fora de controle
O número de ocorrências de incêndios florestais no Amazonas mais que dobrou em julho, passando de 32 para 71 registros, segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM). Com o avanço do fenômeno El Niño, a corporação prevê que o período mais crítico ocorra em setembro, quando há risco de queimadas de grandes proporções e aumento da fumaça em municípios do estado.
Segundo o comandante-geral do CBMAM, coronel Orleilso Muniz, o efetivo poderá chegar a 800 agentes, entre militares e civis, durante o pico da operação, com possibilidade de apoio da Força Nacional.
“No pico, estimamos 800 servidores, entre civis e militares, de forma simultânea. Além disso, poderemos ter o apoio do governo federal por meio da Força Nacional. Já fizemos a solicitação”, afirmou.
Desde maio, o Governo do Amazonas executa a operação Amazonas Mais Verde, que ampliou o efetivo no interior do estado com o envio de mais de 100 bombeiros, totalizando 186 militares, além da contratação de 153 brigadistas estaduais e do apoio de agentes cedidos pelas prefeituras.
Apesar do reforço, o comandante reconheceu que as dificuldades logísticas da Amazônia podem resultar em incêndios de grandes proporções. Em 2024, durante o último episódio de El Niño, o Amazonas registrou 25.499 focos de calor, o maior número desde o início da série histórica, em 1998.
Segundo Muniz, a maior dificuldade está no acesso às áreas atingidas, muitas delas remotas, onde nem sempre há equipamentos ou água suficiente para o combate às chamas.
Educação ambiental é aposta para reduzir queimadas
Além do combate direto aos incêndios, o Corpo de Bombeiros intensificou ações de educação ambiental em comunidades e escolas. A meta é alcançar 80 mil pessoas nos próximos cinco meses.
“Não adianta atuar só no momento em que o incêndio acontece e a gente atuar já com ele fora de controle. A educação ambiental é maior que a repressão. Mais de 13 mil pessoas já foram alcançadas nesse primeiro mês”, destacou o comandante.
As palestras estão sendo realizadas principalmente em municípios do sul do Amazonas, com foco em comunidades rurais e indígenas.
Governo amplia estrutura no interior
Como parte da preparação para a estiagem, o Corpo de Bombeiros reforçou a frota com novas picapes adaptadas para combate a incêndios e ampliou sua presença no interior.
Segundo Muniz, o número de municípios atendidos por bases permanentes passou de 11 para 25 em pouco mais de um ano.
A corporação também incorporou 400 novos soldados, 52 oficiais e mantém uma nova turma com 100 militares em formação, que deverão reforçar as bases no interior.
Plano climático segue em elaboração
Enquanto o estado se prepara para enfrentar a estiagem, o Ministério Público de Contas (MPC-AM) aponta lentidão na elaboração do Plano Estadual de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas.
Em nota, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) informou que a primeira oficina para construção do plano foi realizada em maio com participação de cerca de 30 instituições. A matriz preliminar de ações está em fase de validação, e reuniões técnicas ocorrem ao longo de julho.
A pasta informou que a primeira versão do plano deve ser concluída em setembro de 2026, antes de ser submetida à consulta pública e à apreciação do Fórum Amazonense de Mudanças Climáticas.
Paralelamente, a Sema também elabora o Plano Estadual de Manejo Integrado do Fogo (PMIF), igualmente previsto para setembro, além de apoiar a implementação do programa federal AdaptaCidades em dez municípios amazonenses.
Estado reforça ações contra estiagem
A Defesa Civil informou que o Governo do Amazonas mantém desde 2025 um Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais, composto por 33 órgãos estaduais.
Entre as medidas preventivas adotadas estão o decreto de Emergência Climática e Ambiental, publicado em junho deste ano, a ampliação do Projeto Água Boa, com cerca de 900 sistemas de abastecimento em operação, a distribuição de 148 kits de purificação de água para 23 municípios e o reforço do estoque de ajuda humanitária com 33 mil cestas básicas, equivalentes a 759 toneladas de alimentos.
Segundo a Defesa Civil, o monitoramento hidrometeorológico aponta aumento da probabilidade de formação do El Niño no segundo semestre, cenário que pode provocar redução das chuvas, intensificação da estiagem, isolamento de comunidades, dificuldades de abastecimento e aumento do risco de incêndios florestais em diversas regiões do Amazonas.



