Levantamento do Unicef e da Vital Strategies indica que municípios do Norte concentram os maiores riscos relacionados ao clima, poluição e falta de saneamento
Crianças que vivem na Amazônia Legal, especialmente na Região Norte, estão mais expostas a riscos ambientais e climáticos, como queimadas, secas, chuvas intensas e deficiência no saneamento básico. É o que aponta um painel divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Unicef e pela organização de saúde pública Vital Strategies.
O levantamento reúne 14 indicadores distribuídos em quatro áreas: ambiente escolar, eventos climáticos extremos, qualidade do ar e infraestrutura ambiental e urbana. Os municípios foram classificados em níveis de prioridade para orientar políticas públicas voltadas à proteção da infância.
Segundo o estudo, 333 municípios brasileiros apresentam alta prioridade em dez ou mais indicadores de vulnerabilidade. A maior concentração está na Região Norte, onde 42,4% das cidades se enquadram nessa condição. Os estados do Pará, Acre e Amazonas estão entre os que concentram o maior número de indicadores classificados como críticos.
Na avaliação da qualidade do ar, 94% dos municípios da Região Norte receberam classificação de alta prioridade, principalmente devido à poluição causada pelas queimadas. O painel também aponta que 91% das cidades da região enfrentam alta vulnerabilidade em relação às chuvas intensas e que 60% apresentam problemas relacionados ao acesso à água tratada.
Os desafios também aparecem na infraestrutura urbana. O estudo indica que 87% dos municípios do Norte têm alta prioridade no indicador de esgotamento sanitário inadequado, enquanto 65% enfrentam problemas na coleta de lixo. Além disso, 79% apresentam condições precárias de moradia para crianças e adolescentes.
Na área da educação, o levantamento mostra que 71% dos municípios da Região Norte possuem escolas sem acesso simultâneo à água encanada, esgotamento sanitário e coleta de lixo, fatores que ampliam a vulnerabilidade dos estudantes.
Segundo o Unicef, crianças e adolescentes são mais suscetíveis aos impactos das mudanças climáticas e da poluição, especialmente aquelas que vivem em áreas remotas, comunidades indígenas, quilombolas, regiões com infraestrutura precária e outros contextos de vulnerabilidade social.
Para os responsáveis pelo estudo, o painel busca subsidiar governos na definição de prioridades e na implementação de políticas de adaptação às mudanças climáticas, reduzindo os riscos ambientais que afetam o desenvolvimento infantil, especialmente na Amazônia.



