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Foto: Divulgação
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Pesquisa mostra demora na busca por atendimento e alerta para diagnóstico tardio do câncer colorretal no Amazonas

O sangue nas fezes é um dos principais sinais de alerta para alterações no intestino, mas 43% dos moradores das regiões Norte e Centro-Oeste que já perceberam o sintoma afirmam que não procuraram atendimento médico e apenas esperaram que ele desaparecesse. No Amazonas, especialistas relacionam esse comportamento ao diagnóstico tardio de muitos casos de câncer colorretal atendidos na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon).

Os dados são de uma pesquisa realizada pelo A.C.Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus. O levantamento ouviu 2.015 pessoas com 16 anos ou mais nas 27 unidades da Federação, entre 25 e 30 de junho de 2026, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Entre os entrevistados do Norte e Centro-Oeste que já observaram sangue nas fezes, apenas 39% procuraram ajuda médica imediatamente. O percentual de pessoas que não tomaram nenhuma providência foi o maior registrado entre todas as regiões brasileiras.

Amazonas deve registrar 380 novos casos

A situação preocupa diante da estimativa de novos casos de câncer de intestino no estado. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) citados pelo chefe do Serviço de Cirurgia Oncológica da FCecon, Rogério Lima, o Amazonas deve registrar 380 novos casos em 2026.

A FCecon concentra a maior parte dos atendimentos de câncer colorretal no Amazonas e também recebe pacientes encaminhados de outros estados da Amazônia Legal.

Segundo o especialista, a maior parte dos diagnósticos ainda ocorre depois que o paciente apresenta sintomas.

“O diagnóstico desses tumores, em sua maior totalidade, se dá por busca passiva, ou seja, o indivíduo só busca atendimento quando tem o sintoma e, geralmente, sintomas já graves”, afirma Rogério Lima.

A demora pode fazer com que o tumor seja identificado em uma fase mais avançada, reduzindo as possibilidades de tratamentos menos complexos e dificultando o controle da doença.

Sangramento pode ter outras causas

O câncer colorretal se desenvolve no intestino grosso, que inclui o cólon e o reto. Em muitos casos, a doença começa a partir de pólipos, pequenas lesões que podem crescer ao longo dos anos e se transformar em um tumor.

Nos estágios iniciais, o câncer pode não apresentar sintomas. Quando eles surgem, entre os sinais estão sangue nas fezes, mudanças persistentes no funcionamento do intestino, dor ou desconforto abdominal, sensação de evacuação incompleta, perda de peso sem explicação, anemia e cansaço excessivo.

O sangue nas fezes, entretanto, não significa necessariamente câncer. Hemorroidas, parasitoses e outras alterações também podem provocar sangramento.

Para Rogério Lima, características sociais e condições de saneamento da região podem contribuir para que o sintoma seja associado a problemas mais comuns.

“A parasitose intestinal está presente no cotidiano associado às questões de saneamento básico, principalmente no interior, sendo o sangue nas fezes e mudanças de hábito intestinal muito associados a essas parasitoses, hemorroidas ou alimentação”, explica.

Mesmo assim, o especialista alerta que qualquer sangramento persistente deve ser investigado.

Maioria considera o sintoma grave

A pesquisa mostra que 76% dos moradores do Norte e Centro-Oeste consideram grave ou muito grave a presença de sangue nas fezes ou uma alteração intestinal que dure mais de um mês.

Apesar disso, somente 62% relacionam esses sinais ao câncer colorretal. Foi o menor percentual entre as regiões brasileiras.

O desconhecimento também aparece quando o assunto são os exames de rastreamento. Segundo o levantamento, 68% dos entrevistados do Norte e Centro-Oeste nunca tinham ouvido falar da pesquisa de sangue oculto nas fezes. Apenas 13% afirmaram já ter realizado o exame.

A pesquisa de sangue oculto pode identificar pequenas quantidades de sangue que não podem ser percebidas visualmente. O exame pode ser usado no rastreamento de pessoas sem sintomas e ajudar a identificar quem precisa de investigação complementar.

Um resultado positivo, porém, não significa que a pessoa tenha câncer. Nesses casos, pode ser necessária uma avaliação mais detalhada, incluindo colonoscopia.

Casos aumentam entre pessoas mais jovens

Embora o câncer colorretal ainda seja mais frequente entre pessoas com mais de 50 anos, especialistas também acompanham o crescimento da doença entre adultos mais jovens.

Dados do A.C.Camargo Cancer Center apontam crescimento médio anual de 7,6% nos casos de câncer colorretal em pessoas com menos de 50 anos entre 2000 e 2023.

A mudança também vem sendo percebida na FCecon. Rogério Lima afirma que a tendência tem aparecido entre os pacientes atendidos na instituição.

Ainda não existe uma única causa para o aumento entre os mais jovens. Entre os fatores associados ao risco estão alimentação rica em produtos ultraprocessados e carnes processadas, baixo consumo de fibras, sedentarismo, obesidade, consumo excessivo de bebidas alcoólicas e tabagismo.

Diagnóstico precoce aumenta chances de cura

De acordo com Rogério Lima, a maioria dos pacientes atendidos pela FCecon chega com a doença em estágio avançado. O diagnóstico precoce, por outro lado, aumenta as possibilidades de tratamento e de controle do tumor.

“Sim, o diagnóstico precoce aumenta as chances de cura. Se descoberto e tratado cedo, as chances de cura podem chegar à quase 100%”, afirma o médico.

Em todo o país, o Inca estima 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano para o período de 2026 a 2028. O câncer colorretal está entre os tumores de maior incidência no Brasil.

A recomendação do especialista é procurar atendimento diante de sangramentos ou alterações persistentes no funcionamento intestinal, sem esperar que os sintomas desapareçam.

Também são recomendados hábitos considerados protetores, como maior consumo de frutas, verduras, legumes, cereais integrais, feijões, grãos e sementes, além da prática regular de atividade física. O médico orienta ainda evitar o tabagismo, reduzir o consumo de bebidas alcoólicas e limitar alimentos embutidos e ultraprocessados.

Colonoscopia ajuda a identificar lesões

A colonoscopia é considerada um dos principais exames para investigação e rastreamento do câncer colorretal. O procedimento permite visualizar o interior do intestino, identificar lesões, retirar pólipos e coletar material para biópsia quando necessário.

A pesquisa de sangue oculto nas fezes pode ajudar a selecionar pessoas que precisam de uma investigação mais detalhada, mas não substitui a avaliação médica.

Por isso, alterações persistentes no hábito intestinal, sangramento, dor abdominal recorrente, perda de peso sem explicação, anemia ou cansaço prolongado devem ser comunicados a um profissional de saúde. A ausência de idade avançada também não elimina a necessidade de investigação quando existem sinais de alerta.

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