Presidente da entidade avalia que perfil voltado ao mercado interno reduz exposição do Polo Industrial de Manaus aos efeitos do tarifaço dos EUA
As mudanças nas regras do Plano Brasil Soberano III devem ter pouco impacto direto sobre o ecossistema econômico da Zona Franca de Manaus (ZFM), segundo avaliação do presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antonio Silva.
O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou, nesta quinta-feira (27), alterações no programa criado para proteger e financiar empresas e exportadores brasileiros afetados pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos e por conflitos globais.
Para Antonio Silva, embora a iniciativa seja importante para o setor produtivo nacional, a indústria amazonense tem pouca exposição direta às medidas comerciais norte-americanas. Isso ocorre porque a maior parte da produção do Polo Industrial de Manaus (PIM) é destinada ao mercado interno.
“O Plano Brasil Soberano atua como uma salvaguarda governamental oportuna para o setor produtivo nacional diante das recentes barreiras tarifárias norte-americanas e instabilidades globais. Institucionalmente, essas linhas de crédito são essenciais para garantir liquidez e competitividade às empresas com forte exposição ao mercado externo”, afirmou.
Segundo o presidente da Fieam, a característica da economia local reduz a possibilidade de uma adesão expressiva das empresas instaladas no PIM às linhas de crédito disponibilizadas pelo programa.
“Para o Polo Industrial de Manaus, os reflexos diretos desse tarifaço são consideravelmente diminutos. Como a vocação histórica da Zona Franca de Manaus concentra-se no abastecimento do mercado interno, nosso modelo econômico mitiga a exposição direta a essa crise comercial”, pontuou.
Apesar disso, a entidade mantém atenção aos possíveis efeitos indiretos sobre a indústria amazonense. Antonio Silva afirmou que as empresas locais devem avaliar os critérios de elegibilidade e os impactos que eventuais mudanças possam provocar nas cadeias de fornecimento.
“A perspectiva da indústria amazonense pauta-se pela cautela. A captação desses recursos pelas empresas locais dependerá de critérios de elegibilidade que abarquem os impactos indiretos na cadeia de suprimentos”, declarou.
O que mudou
Entre as alterações aprovadas pelo CMN está a ampliação do acesso ao crédito para empresas dos setores de fertilizantes e minerais críticos e estratégicos.
Fabricantes de adubos e fertilizantes, produtos intermediários e empresas responsáveis pela extração de minerais utilizados nessa produção poderão contratar linhas de capital de giro. Antes, essas empresas tinham acesso a crédito apenas para investimentos e aquisição de máquinas e equipamentos.
A mudança considera o ciclo financeiro do setor, que normalmente realiza pagamentos de insumos importados antes de receber os valores referentes à venda aos produtores rurais.
O CMN também reduziu de até 8% para 3% ao ano o custo de financiamentos destinados à aquisição de bens de capital e investimentos de empresas industriais e tecnológicas ligadas à cadeia de minerais críticos e estratégicos.
A medida busca estimular no país etapas como beneficiamento, refino e transformação desses minerais.
Outra alteração foi a prorrogação, até 31 de dezembro de 2027, do prazo para que empresas apresentem pedidos de financiamento ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Apesar das mudanças, a avaliação da indústria amazonense é de que o Plano Brasil Soberano III deve ter efeitos limitados sobre a Zona Franca de Manaus, justamente pela predominância do mercado interno como destino da produção do Polo Industrial.



