Mudança na direção dos ventos transportou partículas de queimadas do Sul da Amazônia até a capital, segundo pesquisador da UEA
Manaus amanheceu encoberta por fumaça nesta terça-feira (8), e moradores de diferentes bairros sentiram o cheiro de queimadas nas primeiras horas do dia. Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva) apontaram qualidade do ar moderada na maior parte das estações de monitoramento, enquanto alguns pontos registraram nível considerado ruim.
Segundo o pesquisador do Laboratório de Clima e Ambiente (Labclim) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Fábio Nunes, a fumaça que chegou à capital não foi gerada principalmente pelas queimadas da Região Metropolitana de Manaus.
As partículas foram transportadas de áreas de queimadas no Sul do Amazonas, Sul de Rondônia e Norte de Mato Grosso.
Frente fria mudou direção dos ventos
De acordo com o pesquisador, a chegada de uma frente fria pelo centro-sul do Brasil alterou o padrão de circulação dos ventos na região.
Normalmente, os ventos predominantes em Manaus vêm das direções leste e nordeste. Com a passagem da frente fria, houve mudança para ventos de componente sul e sudeste em baixos níveis da atmosfera.
Essa alteração favoreceu o transporte das chamadas plumas de fumaça, formadas por partículas e gases liberados durante queimadas e incêndios florestais, em direção à Região Norte.
A previsão é que essa condição permaneça enquanto a frente fria estiver atuando, embora o sistema já esteja entrando em fase de dissipação.
Segundo Nunes, caso uma nova frente fria avance pelo Brasil, a mudança na direção dos ventos poderá ocorrer novamente e favorecer o transporte das plumas até Manaus.
Estiagem dificulta dispersão da fumaça
A estiagem também contribui para a permanência dos poluentes na atmosfera. Setembro está entre os meses mais secos e quentes do ano na região, o que reduz a ocorrência de chuvas capazes de ajudar na dispersão e remoção das partículas.
A engenheira florestal e mestre em Clima e Ambiente Samanta Lacerda explica que as queimadas aumentam a concentração de poluentes, principalmente do material particulado fino (PM2,5).
A falta de chuva reduz ainda um mecanismo natural de limpeza da atmosfera chamado deposição úmida. Nesse processo, gases e partículas são incorporados às gotas das nuvens ou capturados pela precipitação e retirados da atmosfera.
Com a combinação entre estiagem, queimadas e mudanças temporárias na circulação dos ventos, a fumaça pode permanecer concentrada sobre Manaus e outras áreas da região.



