Tecnologia adotada pelo Ministério da Saúde será testada em pontos estratégicos das quatro zonas da capital antes do período chuvoso
A Prefeitura de Manaus iniciou, nesta segunda-feira (21), a capacitação de profissionais da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) para o uso de Estações Disseminadoras de Larvicida (EDL) no combate ao mosquito Aedes aegypti. A formação é realizada com apoio do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia).
A primeira etapa reuniu profissionais do Distrito de Saúde (Disa) Sul, no Complexo de Saúde Oeste, no bairro da Paz, Zona Oeste. Após as capacitações, a Semsa pretende iniciar um projeto-piloto com a instalação das estações em pontos estratégicos das quatro zonas da cidade.
Como funcionam as estações
As Estações Disseminadoras de Larvicida são recipientes que simulam criadouros do mosquito e recebem um produto que interfere no desenvolvimento dos insetos.
Segundo a Semsa, as fêmeas do Aedes são atraídas para as estações durante a busca por locais para colocar ovos. Partículas do larvicida ficam aderidas às patas dos mosquitos e podem ser levadas para outros criadouros, contribuindo para impedir a proliferação do vetor.
A tecnologia é utilizada nas estratégias de prevenção e controle de dengue, zika e chikungunya.
O projeto-piloto em Manaus será realizado antes do período chuvoso, quando as condições ambientais podem favorecer a proliferação do mosquito.
Manaus registra redução de casos
De janeiro a agosto de 2026, Manaus registrou 530 casos confirmados de dengue, segundo a Semsa. No mesmo período de 2025, foram contabilizados 920 casos.
Também houve redução nos registros de zika e chikungunya. Neste ano, foram confirmados quatro casos de zika e 42 de chikungunya. Em 2025, os números foram de 10 e 68 casos, respectivamente.
O chefe da Divisão de Controle de Doenças Transmitidas por Vetores da Semsa, Alciles Comape, explicou que o cenário epidemiológico atual permite iniciar o projeto antes do período de maior circulação do mosquito.
Estratégia será monitorada
De acordo com a Fiocruz Amazônia, Manaus participou de um projeto-piloto com as estações entre 2019 e 2021, ao lado de municípios como Goiânia, Belo Horizonte, Natal, Fortaleza, Recife e Marília.
O pesquisador José Joaquin Carvajal Cortes informou que a estratégia começou a ser ampliada neste ano para municípios brasileiros com mais de 50 mil habitantes. Segundo ele, 35 cidades já são atendidas e a expectativa é chegar a 650 municípios até o fim de 2027.
Em Manaus, a instalação das estações será acompanhada por uma etapa de monitoramento para avaliar os resultados antes e depois da aplicação da tecnologia.
A definição dos locais levará em consideração áreas com maior risco para arboviroses e situações de vulnerabilidade.
Capacitação segue até setembro
O treinamento aborda o cenário epidemiológico das arboviroses, o comportamento do Aedes aegypti, o ciclo de vida do mosquito, os tipos de criadouros e o funcionamento das estações.
Também são apresentadas orientações sobre montagem, instalação e cuidados durante a operação das EDLs.
A próxima etapa será realizada nesta quarta-feira (23), com profissionais do Disa Leste. No dia 28, a capacitação será voltada às equipes do Disa Oeste. A última etapa ocorre em 29 de setembro, com profissionais do Disa Norte.



