Epidemiologista da Fiocruz alerta para impactos da poluição e aponta maior risco para crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças preexistentes
A piora da qualidade do ar provocada pela fumaça de queimadas no Amazonas pode aumentar os impactos sobre a saúde da população nos próximos dias, segundo o epidemiologista Jesem Orellana, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz/Amazônia).
O pesquisador classificou a situação como preocupante e afirmou que a combinação entre condições climáticas e ação humana contribui para o agravamento da poluição atmosférica.
Segundo Orellana, a exposição à fumaça pode provocar irritação nos olhos e na pele, rouquidão e dores de cabeça, além de sintomas relacionados à ansiedade e à preocupação.
Fumaça pode agravar doenças
A poluição do ar também pode piorar quadros de asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e doenças cardiovasculares e cerebrovasculares.
Em casos mais graves, principalmente entre pessoas que já possuem essas condições, o agravamento pode levar à necessidade de internação e, em situações extremas, à morte.
O epidemiologista afirma que casos graves são menos frequentes e geralmente estão associados ao agravamento de doenças preexistentes. Para os demais sintomas, a recomendação é buscar orientação profissional quando eles prejudicarem atividades do dia a dia, como estudar ou trabalhar.
Grupos mais vulneráveis
Crianças, idosos e gestantes estão entre os grupos que precisam de maior atenção durante os períodos de fumaça. Pessoas com doenças preexistentes também apresentam maior risco de complicações.
Orellana cita ainda indígenas, ribeirinhos, quilombolas e pessoas em situação de rua entre os grupos mais expostos. Trabalhadores que atuam ao ar livre também estão sujeitos a uma exposição maior à poluição.
O pesquisador afirma que medidas de proteção individual podem reduzir parte da exposição, mas ressalta que partículas muito pequenas e gases presentes na fumaça representam um desafio para a proteção.
Qualidade do ar
Nesta quinta-feira (24), dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva) mostravam diferentes níveis de poluição no Amazonas.
Em Manaus, o bairro Coroado registrava 58,5 µg/m³ e Mauazinho, 51,1 µg/m³, índices classificados como ruins pelo sistema.
Nos municípios de Boa Vista do Ramos, Urucurituba, Silves e Careiro da Várzea, os registros variavam entre 77,4 µg/m³ e 122,8 µg/m³, classificados como muito ruins.
Já em Careiro Castanho, a concentração chegou a 253 µg/m³, nível considerado péssimo pela escala do Selva.
A situação ocorre em meio ao avanço das queimadas e à presença de fumaça em diferentes municípios do estado.



