Política e Economia

Foto: Daniel Brandão/A CRÍTICA
Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp

Estado já recebeu R$ 372 milhões da União desde 2023; governo prepara novos planos de trabalho para enfrentar incêndios e impactos da fumaça

O governador do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil), informou nesta segunda-feira (12) que está negociando com o governo federal a liberação de novos recursos para combater os incêndios florestais e reduzir os impactos da fumaça sobre a população. O pedido ainda não tem valor definido e depende da apresentação de planos de trabalho pela gestão estadual e pelas prefeituras afetadas.

Segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), o Fundo Amazônia disponibilizou R$ 45 milhões para o projeto ProAmazon, voltado à estruturação do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM). Desse total, R$ 34,7 milhões já foram recebidos pelo estado, enquanto cerca de R$ 10 milhões ainda estão disponíveis para utilização.

Desde 2023, o Amazonas recebeu mais de R$ 372 milhões em recursos federais destinados a ações de socorro, assistência humanitária, reconstrução e restabelecimento de serviços essenciais. Conforme o ministério, foram aprovados 262 planos de trabalho, sendo 243 de assistência humanitária, seis de restabelecimento e 13 de reconstrução.

“ Nós vamos solicitar o que é emergencial e também os pós, quando passar essa fumaça. Eles pediram para a gente apresentar esses planos de trabalho e também os da estiagem. Nós já estamos executando isso. O valor eles estão dimensionando e também tem as questões do que as prefeituras vão solicitar”, afirmou Cidade.

Emergência reconhecida em 36 municípios

No sábado (10), o governador decretou situação de emergência em 36 municípios amazonenses devido aos incêndios florestais. O governo federal reconheceu a medida no mesmo dia, permitindo que as prefeituras solicitem recursos para enfrentar os efeitos da crise.

O secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, esteve no Amazonas e destacou a necessidade de agilizar os procedimentos para o reconhecimento da emergência e a liberação de apoio.

O ministro Waldez Góes afirmou que o governo federal manterá o suporte necessário ao estado, incluindo equipamentos, veículos, equipes e recursos financeiros.

Durante a coletiva, Roberto Cidade também defendeu a cooperação entre os governos para enfrentar a situação e afirmou que o estado está concluindo os planos de trabalho com a Defesa Civil. As demandas serão encaminhadas à Defesa Civil Nacional. Representantes do Sistema Único de Saúde (SUS) também devem apresentar informações sobre as necessidades de atendimento médico nas áreas mais afetadas.

“Mas isso não importa. O momento agora é de evitar narrativas polêmicas, confrontos. O momento agora é de união, de construção e de enfrentar o problema da melhor forma possível. Já estamos recebendo apoios do governo federal, acredito que foi muito rápido, mas nós já esperávamos que isso ia acontecer”, declarou o governador.

Aeronaves atuam em áreas prioritárias

O comandante do CBMAM, coronel Orleilso Muniz, informou que uma reunião entre o governo estadual, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo) e as Forças Armadas definiu as prioridades operacionais para os próximos dias.

A coordenação dos recursos aéreos está concentrada em uma sala de situação do Corpo de Bombeiros. Entre as áreas prioritárias estão o entorno de Manaus, o município de Autazes e a região do Baixo Amazonas, com possibilidade de atuação até Parintins.

Segundo Muniz, o cargueiro KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB) já havia iniciado as operações nesta segunda-feira. Os aviões Air Tractor, utilizados no lançamento de água, aguardavam condições adequadas de visibilidade para voar.

A estratégia prevê bases em Manaus e Itacoatiara. Quatro aeronaves devem ficar em Itacoatiara para atender a região até Parintins, enquanto a base da capital dará suporte ao eixo da BR-319.

Equipes terrestres também foram posicionadas em Manacapuru e Careiro Castanho, além de uma base no quilômetro 53 da rodovia AM-254, que liga Autazes à BR-319.

Fumaça pode continuar sobre Manaus

A capital amazonense amanheceu nesta segunda-feira pelo quinto dia consecutivo com a qualidade do ar entre muito ruim e péssima, segundo o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

O superintendente do Ibama no Amazonas, Joel Araújo, afirmou que a fumaça pode se dissipar nos próximos quatro dias, conforme o avanço das ações coordenadas. Já o coronel Orleilso Muniz ressaltou que não é possível estabelecer um prazo preciso, porque parte da fumaça que chega a Manaus tem origem no oeste e no sul do Pará.

Araújo afirmou que o governo federal pode ampliar a cooperação com o estado vizinho para reforçar o combate aos incêndios nas áreas de origem da fumaça.

“ A região Oeste do Pará, principalmente ali no sul de Santarém, é uma região que queima bastante todos os anos. Nós temos brigadas atuando naquela região pelo Ibama, mas precisa reforçar o trabalho, que nem a gente está fazendo aqui. Porque o que acontece: Manaus acaba sentindo muito a fumaça. Lá, as grandes cidades não passam pelo mesmo, então a sensação deles em relação à fumaça é diferente do que a gente tem aqui”, declarou.

Prefeitos apresentam demandas

O Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais (Copec) reuniu prefeitos e representantes de municípios do interior nesta segunda-feira para discutir as necessidades locais e alinhar estratégias de prevenção e combate às queimadas, além de medidas para enfrentar os efeitos da estiagem.

A prefeita de Rio Preto da Eva, Socorro Nogueira, destacou a importância da participação dos municípios na definição das medidas emergenciais.

“A gente ficou feliz e esperançoso que teremos apoio. Essa união é muito importante, tanto do Governo Federal quanto do Governo do Estado, e os municípios, até porque estamos ali na ponta e sabemos da nossa realidade, então, saímos daqui com a expectativa muito grande para que a gente possa juntos solucionar esse problema que está atingindo todo o estado Amazonas”, afirmou.

Operações ambientais reforçam fiscalização

O estado mantém diferentes frentes de atuação contra as queimadas. A operação Amazonas+Verde, iniciada em maio, reúne ações de combate aos incêndios, educação ambiental, enfrentamento a crimes ambientais e ampliação da capacidade operacional. A iniciativa atua em 33 municípios e alcançou mais de 43 mil pessoas com atividades educativas entre junho e agosto.

A operação Tamoiotatá intensificou as ações na Região Metropolitana de Manaus e nos municípios de Manaquiri, Autazes, Careiro Castanho e Careiro da Várzea. Enquanto o CBMAM atua diretamente no combate às chamas, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) realiza fiscalizações para coibir o uso irregular do fogo.

O estado também conta com a operação Alerta Fogo, que utiliza imagens de satélite, drones e equipes em campo para identificar focos de incêndio e fiscalizar possíveis infrações ambientais.

Você também pode gostar

Editorias