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Foto: Reprodução Wikipedia
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Obra de Durango Duarte analisa os dez primeiros anos do Amazonas, entre 1851 e 1859, mostrando isolamento, improviso e estrutura precária

Longe dos discursos grandiosos sobre a fundação do Amazonas, a província foi forjada em meio a isolamento geográfico, recursos escassos e improvisos constantes. É esse período que o historiador Durango Duarte revela em sua nova obra, “A Construção da Província do Amazonas”, lançada em diálogo com o feriado de 5 de setembro, que celebra a elevação do território à categoria de província.

Baseada em fontes primárias, como as mensagens dos presidentes de província à Assembleia Legislativa, a obra mergulha nos dez anos iniciais (1851-1859), resgatando uma década de experimentações administrativas e desafios estruturais que moldaram o futuro da região.

Segundo Duarte, a província nasceu dependente de recursos naturais, com transporte fluvial central e tensões nas relações interétnicas entre indígenas, mestiços e migrantes — marcas que permanecem até hoje. “A década de 1851 a 1859 foi mais que um tempo inaugural: foi um laboratório de Estado, onde se experimentaram caminhos para governar o imenso e diverso”, escreve o autor.

Desafios estruturais da primeira década

O livro revela que a criação da Província do Amazonas não foi um ato súbito, mas o resultado de décadas de reivindicações por autonomia, enfrentando uma realidade desoladora:

  • Isolamento e rios como estradas: Sem vias terrestres, a comunicação dependia de canoas e batelões, em viagens que duravam meses. A chegada do vapor Guapiassú em 1851 representou promessa de integração, mas a navegação regular ainda demoraria a se consolidar.
  • Economia extrativista e cofres vazios: A economia se baseava na exploração de pirarucu, tartaruga e cacau silvestre, com a borracha ainda incipiente. Entre 1851 e 1859, a receita provincial cresceu de 3 contos de réis para 60 contos, reflexo mais da formalização administrativa que de solidez econômica.
  • Sociedade dispersa e vulnerável: A população rarefeita dificultava a oferta de serviços básicos. Em 1851, havia poucas escolas primárias, com cerca de 100 alunos, e a saúde dependia de saberes tradicionais.

Geopolítica e relações com indígenas

A criação da província também tinha finalidade estratégica, para consolidar a autoridade imperial nas fronteiras com cinco nações vizinhas. No entanto, os fortes coloniais estavam em ruínas, e a presença militar era simbólica.

A relação com os povos indígenas, maioria da população, era marcada por ambiguidades: embora a política oficial do Regulamento de 1845 buscasse “catequese e civilização”, na prática os recursos eram escassos e conflitos com grupos como Mura e Macús eram frequentes.

Com 27 livros publicados, Durango Duarte contribui para a recuperação da memória coletiva do Amazonas, oferecendo fontes valiosas para acadêmicos, pesquisadores e jornalistas interessados na história regional. A obra está disponível para download gratuito no site idd.org.br.

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