Ciência e Tecnologia

Fotos: Nilton Ricardo/A Crítica
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Sistema prevê falhas, otimiza operação e antecipa impactos climáticos extremos na capital

Em Manaus, um sistema de inteligência artificial (IA) está sendo treinado para se tornar o cérebro digital da rede de água e esgoto da cidade. Desenvolvido pela concessionária Águas de Manaus, o projeto é conduzido no Centro de Controle Operacional (CCO) e visa evitar falhas, otimizar a operação e, futuramente, prever os impactos de eventos climáticos extremos, como secas severas.

Iniciado no final de 2024, o sistema é alimentado 24 horas por dia com dados sobre consumo e pressão da água. Ele aprende padrões de operação para identificar desvios que possam indicar problemas no fornecimento.

“Desde novembro do último ano, o sistema está sendo alimentado com as informações do dia a dia para que ele aprenda nosso regime de operação. Embora em fase de aprendizado, a IA já nos alerta sobre anomalias, como quando um reservatório opera de forma diferente do seu padrão habitual”, afirma Rodrigo Leite, coordenador de operações da concessionária.

O objetivo da tecnologia é antecipar problemas antes que a população perceba qualquer dificuldade no abastecimento. Segundo Rodrigo, a IA acelera a tomada de decisão, já que entrega os dados analisados, reduzindo o tempo gasto na análise manual.

O CCO permite monitorar e comandar 43 reservatórios, 56 poços e 4 mil quilômetros de tubulações. Um único operador pode, por exemplo, desligar um poço em Santa Etelvina, a quase 40 km de distância, para manutenção de rotina. O sistema é projetado para ser resiliente, com geradores e rotas alternativas de comunicação em caso de falhas.

O modelo de IA já está sendo aplicado na rede coletora de esgoto, começando pela bacia do Educandos, com planos de expansão para toda a cidade. Atualmente, a água tratada chega a 99% da capital, com 700 milhões de litros por dia. A rede de esgoto deve atender mais de 35% da cidade até o final de 2025 e mais de 90% até 2033.

De acordo com o Instituto Trata Brasil, Manaus é a sexta capital que mais investe em saneamento no país e lidera na região Norte. O próximo passo é usar a IA para prever o comportamento dos rios durante eventos extremos, um dos maiores desafios da região.

O gêmeo digital

O sistema de IA é considerado um embrião do conceito de gêmeos digitais (digital twins), que são réplicas virtuais atualizadas da rede real, capazes de prever falhas e testar intervenções sem riscos.

“Tradicionalmente, um sistema de saneamento é projetado com base em modelos estáticos, e o gestor reage a falhas quando elas ocorrem. Com o uso de IA generativa e modelos de linguagem ampla, essa lógica muda radicalmente”, explica o professor Fabio Santos, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

A proposta é passar da reação à antecipação, tornando o planejamento urbano mais eficiente e a prestação de serviços essenciais mais segura para a população.

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