Superintendência rebate professor da Fundação Dom Cabral e afirma que a ZFM é essencial para o desenvolvimento sustentável e a geração de empregos na Amazônia
A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) reagiu com firmeza a um artigo publicado nesta segunda-feira (10) no jornal Valor Econômico, no qual o professor da Fundação Dom Cabral, Bruno Carazza, faz críticas ao modelo da Zona Franca de Manaus (ZFM). Intitulado “COP em Belém e bilhões para ar-condicionado em Manaus”, o texto foi considerado pela autarquia como uma visão distorcida e unilateral sobre os incentivos fiscais e o papel da ZFM na sustentabilidade da Amazônia.
Em nota oficial, a Suframa destacou que o artigo “falha ao não reconhecer o principal e inegável papel da ZFM: a preservação da floresta em pé”, ressaltando que o modelo é um instrumento de desenvolvimento socioeconômico sustentável, capaz de concentrar a atividade industrial em um polo urbano e evitar o avanço do desmatamento em áreas sensíveis da Amazônia Ocidental.
O artigo de Carazza comparou os incentivos fiscais da Zona Franca aos valores que o Brasil pretende arrecadar com o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, e questionou a coerência entre a produção de aparelhos de ar-condicionado no Polo Industrial de Manaus (PIM) e os objetivos de desenvolvimento sustentável.
A resposta da Suframa veio no mesmo dia em que o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam) anunciou que vai apresentar, na Zona Azul da COP30, em Belém, um trabalho voltado às práticas de ESG (Ambiental, Social e Governança) desenvolvidas por empresas do Polo Industrial.
A autarquia reforçou que a renúncia fiscal da ZFM não pode ser vista como um custo sem retorno, já que o Amazonas é um dos poucos estados que recolhem mais impostos federais do que recebem em transferências constitucionais. De acordo com a Suframa, o modelo garante a subsistência de milhões de pessoas e gera cerca de 500 mil empregos diretos, indiretos e terceirizados.
O órgão também citou dados do IBGE e da Fundação Getúlio Vargas (FGV) para rebater o argumento de que os incentivos da Zona Franca oneram o país. Segundo os estudos, as regiões Sudeste e Sul concentram 62% da renúncia fiscal nacional, enquanto o Amazonas representa apenas 1,74% — devolvendo mais do que recebe em incentivos.
Em relação à produção de equipamentos de refrigeração e eletrônicos, a Suframa afirmou que o setor cumpre exigências da Lei de Informática, investindo R$ 1,48 bilhão em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) apenas em 2023. A autarquia destacou ainda que a bioeconomia e a indústria tradicional são complementares, e que o modelo da ZFM cria as condições para que novas atividades sustentáveis floresçam na região.
O debate também repercutiu no meio político. O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Serafim Corrêa, divulgou um vídeo em tom crítico, sugerindo que o articulista do Valor Econômico “vá catar coquinho”, expressão regional usada para repreender alguém que fala sem conhecimento de causa.
A Suframa encerrou a nota reafirmando seu compromisso com a modernização e a adequação do modelo da Zona Franca de Manaus, cuja validade está assegurada na Constituição até 2073, e reforçou que o polo industrial seguirá sendo “um farol de sustentabilidade para o Brasil e o mundo.”



