Política e Economia

Foto: Reprodução/Rede Amazônica
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Advogados de médica dizem que prescrição de adrenalina venosa pode ter sido alterada automaticamente; Polícia Civil e MP apuram causas e responsabilidades

A defesa da médica Juliana Brasil, investigada pela morte do menino Benício Xavier, de 6 anos, afirma que a prescrição de adrenalina intravenosa registrada no prontuário teria sido resultado de uma falha no sistema informatizado do Hospital Santa Júlia, em Manaus. O caso segue em investigação pela Polícia Civil, Ministério Público e pelo Conselho Regional de Medicina.

Segundo os advogados, Juliana teria prescrito adrenalina por via inalatória, indicada para quadros como laringite, mas o sistema teria alterado a via para intravenosa, usada apenas em situações extremas, como parada cardiorrespiratória. A defesa apresentou um vídeo que, segundo ela, demonstra instabilidade e mudanças automáticas na plataforma de prescrição da unidade.

O Hospital Santa Júlia informou que não vai se manifestar sobre o caso.

Investigação em andamento

O delegado Marcelo Martins, responsável pelo inquérito no 24º DIP, confirmou que a hipótese de falha no sistema também está sendo analisada, mas não antecipou detalhes, pois as diligências são sigilosas. A polícia investiga o caso como homicídio doloso qualificado, e uma acareação entre a médica e a técnica de enfermagem está marcada para esta quinta-feira (4).

O Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CREMAM) abriu processo ético sigiloso, e o hospital afastou a médica e a técnica até a conclusão das apurações.

O que diz a defesa

Os advogados afirmam que a médica relatou à mãe da criança que a adrenalina seria administrada por nebulização. Eles sustentam que a profissional só soube da aplicação intravenosa quando foi chamada pela equipe de enfermagem.

Segundo a defesa, a médica pediu apoio ao coordenador de plantão e acompanhou o atendimento até a transferência do menino para a UTI, onde o quadro se agravou.

A equipe jurídica também afirma que o reconhecimento inicial de erro — registrado em relatório enviado à polícia e em mensagens trocadas com outro médico — teria ocorrido “no calor do momento”, antes de a médica desconfiar de possível falha no sistema.

Linhas de apuração

A investigação busca esclarecer:

  • se a prescrição foi alterada automaticamente pelo sistema;
  • se houve falha de checagem por parte da enfermagem;
  • se outros procedimentos no atendimento contribuíram para o agravamento do quadro;
  • a sequência de condutas desde a sala de atendimento até a UTI.

A Polícia Civil já ouviu médicos, enfermeiros e a técnica de enfermagem responsável pela aplicação. Novos depoimentos e perícias no sistema do hospital estão previstos.

O caso

Benício deu entrada no hospital no dia 22 de novembro com tosse seca e suspeita de laringite. A família afirma que ele recebeu três doses de adrenalina intravenosa em intervalos de 30 minutos, o que provocou piora imediata: palidez, dor intensa no peito e queda na saturação.

Durante a madrugada do dia 23, o menino sofreu seis paradas cardíacas durante tentativas de intubação. A morte cerebral foi confirmada às 2h55.

O Ministério Público acompanha o inquérito e deve analisar as conclusões da polícia para definir eventuais responsabilizações civis e criminais.

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