Política e Economia

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Entidades apontam impacto da Reforma Tributária, juros elevados e gargalos logísticos como fatores decisivos para a competitividade do setor

O comércio do Amazonas inicia 2026 em um cenário marcado pela expectativa de melhora na atividade econômica, mas ainda cercado por riscos estruturais que limitam a competitividade do setor. Avaliações da Associação Comercial do Amazonas (ACA-AM) e da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas (Fecomércio-AM) indicam que o próximo ano será decisivo, especialmente diante da implementação da Reforma Tributária, do custo do crédito e das dificuldades logísticas históricas do estado.

Para o presidente da ACA-AM, Bruno Loureiro Pinheiro, o foco do setor precisa estar na aplicação prática da reforma. Segundo ele, apesar da aprovação da legislação, o maior desafio está na execução. “2026 será um ano decisivo para consolidar ou comprometer a competitividade do comércio amazonense”, afirmou.

Loureiro ressalta que é fundamental garantir segurança jurídica e a preservação efetiva da Zona Franca de Manaus, considerada estratégica para a economia regional. Além do debate tributário, a ACA-AM aponta entraves no ambiente de negócios, como excesso de burocracia, falta de previsibilidade e custos operacionais elevados. Para a entidade, a redução desses obstáculos é essencial para que o comércio local consiga competir em condições mais equilibradas com outros estados.

Na avaliação da Fecomércio-AM, há sinais positivos no curto prazo, impulsionados pelo desempenho das vendas no fim de 2025. O presidente da federação, Aderson Frota, destaca que os últimos meses apresentaram melhora, especialmente por causa da Black Friday e de uma retomada parcial do consumo.

Apesar disso, Frota lembra que 2025 foi um ano de dificuldades para o setor. Segundo ele, os juros elevados afetaram diretamente empresas e consumidores. “A taxa Selic criou entraves muito grandes, encareceu o crédito e acabou inviabilizando muitos consumidores”, afirmou, ao citar o alto nível de endividamento das famílias e a restrição ao acesso ao crédito.

A expectativa da Fecomércio-AM é de que o cenário comece a mudar ao longo de 2026, com a possibilidade de redução gradual da taxa básica de juros. Para Frota, um movimento do Banco Central nesse sentido pode criar um ambiente mais favorável ao desempenho das empresas e à recuperação do consumo.

Outro ponto observado pelas entidades é o próprio calendário de 2026. Ano político, com realização da Copa do Mundo e maior concentração de feriados nos fins de semana, o período tende a beneficiar segmentos como turismo e lazer, mas pode gerar oscilações e paralisações em outras áreas do comércio e dos serviços.

Além disso, o início do processo de implantação da Reforma Tributária deve exigir atenção redobrada das empresas. A Fecomércio-AM avalia que o país entrará em uma fase de transição prolongada, com a convivência simultânea de dois sistemas tributários por vários anos, o que aumenta a complexidade operacional e os custos de adaptação.

No balanço final, ACA-AM e Fecomércio-AM convergem ao avaliar que 2026 será um ano de decisões estratégicas para o comércio amazonense, exigindo atuação institucional firme, acompanhamento rigoroso da Reforma Tributária, melhoria do ambiente de negócios e condições mais equilibradas de crédito para sustentar a retomada do setor.

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