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Foto: José Lima/Rede Amazônica
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No Dia do Leitor, celebrado nesta quarta-feira (7), hábito de ler se reinventa entre livros físicos e digitais, apesar dos desafios de tempo e acesso

Abrir um livro, virar a página, fixar o olhar em palavras, frases e histórias. Mesmo diante das transformações digitais, a leitura resiste — e, muitas vezes, pega carona na tecnologia para continuar viva. Nesta quarta-feira (7), o Dia do Leitor reforça a importância do hábito, seja no livro físico ou no digital.

Para a professora de teatro Anate Diniz, ler é também guardar memória. Um costume construído desde cedo, que hoje atravessa a vida pessoal e profissional.
“A leitura sempre foi um crescimento pessoal pra mim. Não é só aprender pra ensinar alguém, é algo que transforma a gente por dentro. Eu gosto do livro físico, de pegar, virar as páginas, sentir o tempo da leitura. Isso cria uma conexão muito maior”, conta.

Apesar do apego ao papel, os livros digitais também conquistaram espaço. Celulares, tablets e computadores oferecem acesso rápido às histórias, mas exigem dedicação. Para a coordenadora editorial Neiza Teixeira, a tecnologia facilita, mas não substitui o compromisso com a leitura.
“Muita gente diz que lê, às vezes até inventa que leu. Mas ler exige sentar, dedicar tempo e atenção. Hoje, o celular ajuda: se você não sabe o significado de uma palavra, está ali ao alcance da mão. Antes era preciso recorrer a um dicionário pesado”, explica.

Mesmo com mais opções, o acesso nem sempre se transforma em hábito. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, publicada em 2024, apenas 40% da população do Amazonas é considerada leitora. A principal justificativa de quem lê pouco ou deixou de ler é a falta de tempo.

Ainda assim, a leitura resiste. Em livrarias do Centro de Manaus, os livros continuam sendo folheados e levados para casa. Os clubes de leitura também ajudam a manter o hábito vivo e tornam a experiência coletiva.
“Quando a leitura é compartilhada, ela se torna mais possível dentro da rotina”, afirma Marjorie Tavares, coordenadora de um clube do livro.

A produção literária local também segue ativa, com autores amazonenses publicando novas obras e ampliando o acesso às histórias da região. Para a escritora Giulietta Carvalho, o leitor tem papel essencial nesse processo.
“Seja no papel ou na tela, ler ainda é um ato de escolha. Um tempo que a gente decide guardar”, destaca.

No Dia do Leitor, fica o convite para abrir um livro e descobrir novos mundos. Como lembra Neiza Teixeira, a leitura ultrapassa fronteiras.
“Se você quer conhecer o mundo, leia. Kant, por exemplo, nunca saiu da cidade onde nasceu, mas viajou o mundo inteiro por meio da leitura.”

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