Política e Economia

Foto: Divulgação
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Aumento do teto de financiamento, redução de juros e reforço de subsídios beneficiam famílias de baixa renda e fortalecem construtoras do setor

As novas regras do Minha Casa, Minha Vida, que entraram em vigor no dia 2 de janeiro, inauguram um novo ciclo para o mercado habitacional brasileiro. As mudanças ampliam os tetos de financiamento, reduzem taxas de juros e reforçam os subsídios, com foco especial nas faixas 1 e 2, voltadas às famílias de menor renda, criando condições mais favoráveis para o acesso à casa própria.

Com o novo desenho do programa, o valor máximo dos imóveis financiáveis nas faixas 1 e 2 passa a variar entre R$ 255 mil e R$ 270 mil, conforme o porte e a classificação urbana dos municípios. Em cidades com mais de 750 mil habitantes, consideradas metrópoles, o teto chega a R$ 270 mil. Já capitais regionais e municípios de médio porte passam a operar com limites entre R$ 255 mil e R$ 260 mil, o que representa reajustes de 4% a 6% em relação aos valores anteriores.

O pacote de mudanças também prevê redução das taxas de juros e aumento dos subsídios do FGTS, diminuindo o valor da entrada e ampliando a viabilidade do financiamento habitacional para famílias de menor renda. As medidas são sustentadas por um orçamento recorde do FGTS para 2026, estimado em R$ 160,5 bilhões, sendo R$ 144,5 bilhões destinados à habitação e R$ 12,5 bilhões reservados para descontos habitacionais, concentrados nas faixas mais baixas de renda.

Impacto no setor e estratégia da MRV

Para a MRV, maior construtora do segmento econômico do país, as novas regras devem reforçar ainda mais a estratégia já adotada pela companhia. Apenas nos primeiros nove meses de 2025, a empresa lançou mais de 31 mil unidades residenciais, sendo 97% enquadradas no Minha Casa, Minha Vida.

Segundo estimativas da própria MRV, com os novos tetos de financiamento, tanto a faixa 1 quanto a faixa 2 passam a ter acesso a uma quantidade cerca de 37% maior de unidades do estoque da empresa, em comparação com as regras vigentes em 2024. Atualmente, a faixa 1 responde por aproximadamente 22% das vendas da construtora, enquanto a faixa 2 concentra cerca de 35%.

“O nosso mercado sempre tem demanda. O déficit habitacional no Brasil é muito significativo, e o programa federal tem um papel fundamental ao oferecer subsídios e condições de financiamento que viabilizam o acesso à moradia”, afirma Eduardo Fischer, CEO da MRV. Segundo ele, além do Minha Casa, Minha Vida, programas regionais também contribuem para ampliar o acesso à casa própria. “Existe um contexto macroeconômico positivo para a indústria. Olhamos para 2026 com bastante otimismo”, destacou.

Cenário nacional

Ao todo, as mudanças no programa impactam 75 municípios brasileiros, que concentram cerca de 51,8 milhões de habitantes, com destaque para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Mesmo em um cenário de juros elevados ao longo de 2025, o Minha Casa, Minha Vida se consolidou como um dos principais vetores de sustentação do setor imobiliário.

Na MRV, o programa contribuiu para um crescimento de 17,6% na receita operacional e um aumento de 35,5% no lucro bruto nos primeiros nove meses de 2025, reforçando a relevância da habitação de interesse social como motor do mercado imobiliário brasileiro.

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