Política e Economia

Foto: Luiz Felipe/DPE-AM
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Estado tem índice acima da média nacional; campanha “Eu Tenho Pai” oferece DNA gratuito e orientação jurídica

Entre 2016 e 2025, o Amazonas registrou 693.683 nascimentos, dos quais 66.240 foram emitidos sem o nome do pai, o equivalente a 9,5% do total. Apenas em 2025, foram 82.671 registros, com 8.200 ausências paternas — cerca de 10%.

Os dados são do Portal da Transparência da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil). No país, a média foi de 7% no período, com 173.748 registros sem o nome do pai em 2.509.488 nascimentos apenas em 2025.

Em todo o Brasil, dos 27.129.155 nascimentos registrados entre 2016 e 2025, 1.644.528 não tiveram a paternidade reconhecida na certidão.

Reconhecimento de paternidade

Para enfrentar essa realidade, a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) realiza a campanha “Eu Tenho Pai”, que oferece exames gratuitos de DNA e orientação jurídica para reconhecimento voluntário ou investigação de paternidade.

A defensora pública Sarah Lobo, coordenadora da área de Família e da campanha, destaca que o Amazonas está acima da média nacional.

“O Brasil tem um grande número de crianças sem o pai registrado. O Amazonas tem um número acima da média. No ano passado, 10% das crianças foram registradas sem o nome do pai. É um número muito alto e que tem uma série de consequências legais”, afirmou.

Segundo ela, a ausência do registro paterno é um problema familiar e social, com impactos em direitos como pensão alimentícia, herança e inclusão em benefícios.

Histórias de vínculo

Entre os casos atendidos está o de Gleisi de Souza Silva, de 42 anos, e Geraldo Gripena Noronha Sobrinho, de 64. Eles realizaram exame de DNA para confirmar o vínculo biológico. Criada por pais socioafetivos, Gleisi conheceu Geraldo aos 15 anos.

“O amor só aumenta”, afirma ela, destacando que a convivência com o pai e a nova família fortaleceu os laços afetivos.

Também há casos de reconhecimento socioafetivo. O casal Eline da Silva Souza e Edilson Braga Júnior buscou oficializar a maternidade socioafetiva de Eline em relação ao pequeno Benjamin, filho biológico de Edilson.

“Cuido dele desde bebezinho. Fui buscá-lo no hospital quando nasceu. Ele é o nosso grude”, contou Eline.

Segundo o casal, a regularização evita constrangimentos em viagens e atendimentos médicos.

Mutirão de atendimentos

Para a edição deste ano da campanha, foram abertas 870 vagas, sendo 620 na capital e 250 no interior. Em Manaus, o mutirão começou com 120 atendimentos virtuais, voltados a pessoas com dificuldades de deslocamento. Outros 500 atendimentos presenciais foram agendados.

A DPE reforça que o reconhecimento da paternidade — biológica ou socioafetiva — garante segurança jurídica, identidade e direitos fundamentais às crianças e adolescentes.

A campanha busca reduzir as estatísticas e promover o fortalecimento dos vínculos familiares no estado.

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