Cerimônia em Brasília reforça protagonismo indígena na gestão de políticas públicas e amplia presença em espaços de decisão
Nesta terça-feira (31), durante solenidade na sede do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), em Brasília, foram anunciados os novos nomes que passam a liderar a política indigenista no país. Lucia Alberta Baré foi indicada para a presidência da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), enquanto Eloy Terena assumiu o cargo de ministro dos Povos Indígenas.
A escolha de Lucia Alberta Baré reforça a continuidade do processo de fortalecimento da gestão indígena à frente das políticas públicas voltadas aos povos originários. “É um momento de dar continuidade ao protagonismo, autonomia e fortalecimento das ações para os povos indígenas. Faremos todo o trabalho na Funai de forma dialogada e participativa”, afirmou.
A ex-ministra Sonia Guajajara destacou os avanços recentes, como a recomposição do orçamento, a criação da carreira indigenista e a regulamentação do poder de polícia da Funai. Eloy Terena, ao assumir o MPI, ressaltou a importância de investir na formação de lideranças indígenas e ampliar o acesso a espaços de decisão.
O cacique Roani Metuktire reforçou a necessidade de fortalecer as organizações indígenas e manter viva a identidade cultural e linguística dos povos.
Participaram da cerimônia representantes da Apib, Anmiga, Sesai, Câmara dos Deputados e Ministério da Igualdade Racial, além de diretores da Funai.
Trajetória de Lucia Alberta Baré
Indígena do povo Baré, nascida no Alto Rio Negro (AM), Lucia Alberta Baré é servidora efetiva da Funai e ocupava desde 2023 a Diretoria de Gestão Ambiental e Territorial (Digat). Graduada em Ciências Sociais e mestre em Educação pela UFAM, construiu sua carreira na educação escolar indígena e em projetos socioambientais.
Com experiência em órgãos como a Secretaria de Educação de São Gabriel da Cachoeira, Instituto Socioambiental e Ministério da Educação, também atuou como assessora da Presidência da Funai e na Câmara dos Deputados, na gestão da ex-deputada Joenia Wapichana.
À frente da Digat, defendeu a integração de conhecimentos tradicionais na formulação de políticas públicas e a participação ativa dos povos indígenas em todas as etapas de decisão.



