Política e Economia

Foto: Divulgação/Samel
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Órgão aponta falhas éticas e pede R$ 85 milhões por danos coletivos após pesquisa durante a pandemia

O Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação civil pública contra a União, a rede hospitalar Samel e dois médicos por irregularidades em uma pesquisa com o uso da proxalutamida durante a pandemia de Covid-19 no Amazonas.

Segundo o processo, protocolado no dia 24 de abril pelo procurador Igor Alves Jordão, pelo menos 200 mortes foram registradas no contexto do estudo, realizado em fevereiro de 2021, durante a segunda onda da doença.

Irregularidades apontadas

De acordo com a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), a pesquisa apresentou diversas falhas, entre elas:

  • Falta de treinamento adequado da equipe
  • Ausência de documentação obrigatória
  • Inconsistências nos dados coletados
  • Problemas na dispensação do medicamento

O MPF também sustenta que o estudo foi conduzido sem autorização válida para ocorrer no Amazonas.

Uso de medicamento sem registro

A proxalutamida é um fármaco experimental estudado para alguns tipos de câncer, como o de próstata, e não possui registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), nem autorização para uso clínico no país.

Responsabilização

Além da União e da Samel, a ação inclui:

  • Daniel do Nascimento Fonseca
  • Flávio Adsuara Cardegiani

Segundo o MPF, a União falhou na fiscalização, enquanto a unidade hospitalar teria dado suporte à realização do estudo. Já os médicos são apontados como responsáveis pela condução da pesquisa sem autorização ética adequada.

O órgão afirma ainda que a autorização existente era restrita a uma clínica no Distrito Federal, não podendo ser estendida a outras regiões.

Pedido de indenização

O MPF solicita a condenação dos envolvidos ao pagamento de R$ 85 milhões por danos coletivos, além da adoção de medidas para evitar a repetição de pesquisas fora dos padrões éticos.

Durante a pandemia, a própria rede hospitalar havia anunciado a inclusão de cerca de 600 participantes no estudo, em municípios como Manaus, Parintins, Itacoatiara e Maués, com divisão entre grupo que recebeu o medicamento e outro com placebo.

Posicionamento oficial

O Ministério da Saúde informou que tem reforçado ações para garantir pesquisas baseadas em evidências científicas e destacou avanços na regulamentação da pesquisa clínica no país.

Até a última atualização, não houve manifestação das defesas dos citados na ação.

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