Turismo

Foto: Arquivo Pessoal
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Publicação inédita lançada em Fortaleza reúne orientações práticas e coloca o Amazonas como referência nacional no debate sobre acessibilidade

Manaus — O turismo brasileiro ganhou um novo instrumento para ampliar a inclusão e o respeito à diversidade. Durante o Salão do Turismo em Fortaleza (CE), foi lançado o Guia Para Atender Bem Turistas Neurodivergentes, resultado de uma pesquisa nacional conduzida pelo programa Mais Acesso, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em parceria com o Ministério do Turismo (MTur).

A publicação inédita reúne orientações práticas para hotéis, restaurantes, meios de transporte, atrativos turísticos e eventos, com foco em acolhimento, comunicação clara e adaptações simples que podem transformar a experiência de pessoas neurodivergentes.

Segundo a coordenadora do programa, professora doutora Marklea da Cunha Ferst, o guia representa um avanço para o setor:

“A iniciativa demonstra que acessibilidade não se limita às barreiras físicas, mas também envolve comunicação, previsibilidade, acolhimento e respeito às diferentes formas de perceber e interagir com o ambiente.”

Pesquisa nacional

A pesquisa contou com 761 respondentes válidos em todo o país, incluindo pessoas neurodivergentes, familiares e profissionais do setor turístico. O estudo foi realizado em duas fases: aplicação de questionário online e validação das informações por meio de grupos focais.

Entre os principais desafios identificados estão o excesso de ruído e iluminação, a imprevisibilidade das rotinas e a falta de informações claras antes das viagens. Por isso, o guia foi estruturado com foco em flexibilidade, acolhimento e adaptações razoáveis.

Soluções de baixo custo

O material mostra que pequenas mudanças podem gerar grande impacto social:

  • Disponibilizar informações antecipadas sobre ambiente e tempo de espera;
  • Criar espaços de pausa ou áreas silenciosas;
  • Flexibilizar filas e cardápios;
  • Utilizar comunicação objetiva e visual;
  • Reduzir estímulos sonoros em determinados horários;
  • Capacitar equipes para lidar com crises sensoriais sem constrangimento.

Amazonas como referência

Nos últimos anos, o Amazonas tem avançado no debate sobre acessibilidade e inclusão no turismo, com maior interesse institucional, capacitação de profissionais e participação ativa das universidades. Apesar dos desafios geográficos e estruturais, o estado é visto como potência para se tornar referência em turismo inclusivo sustentável, integrando biodiversidade, cultura e inovação social.

Papel da universidade pública

Para a professora Marklea Ferst, o guia evidencia o papel estratégico das universidades públicas na construção de políticas inclusivas:

“Quando a pesquisa sai do ambiente acadêmico e se transforma em materiais práticos, capacitações e instrumentos de gestão, ela passa a gerar impacto social concreto.”

O guia, segundo a coordenadora, não deve ser compreendido como ponto final, mas como início de um processo contínuo de construção de um turismo mais inclusivo, acolhedor e acessível, capaz de ampliar direitos e qualificar serviços em todo o Brasil.

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