Estudo internacional aponta que medicamento experimental também melhora indicadores de diabetes, apneia do sono e osteoartrite, mas ainda aguarda aprovação para uso comercial
Um medicamento experimental desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly pode representar um novo avanço no tratamento da obesidade. Dados divulgados em um estudo publicado na revista científica Lancet revelam que a retatrutida promoveu perda de peso de até 28,3% em pacientes com diabetes tipo 2, percentual considerado próximo aos resultados obtidos por cirurgias bariátricas.
A pesquisa acompanhou 930 adultos durante até 80 semanas. Os participantes receberam doses semanais da substância ou placebo. Ao final do estudo, os pacientes que utilizaram as maiores doses apresentaram perda de peso até quatro vezes superior à observada no grupo de controle.
A principal característica da retatrutida é sua atuação simultânea sobre três hormônios ligados ao metabolismo. Entre eles está o glucagon, que contribui para aumentar o gasto energético e estimular a queima de calorias pelo organismo.
Além da redução significativa do peso corporal, o estudo também apontou melhora nos níveis de glicose, redução dos sintomas da apneia do sono e diminuição das dores associadas à osteoartrite de joelho. Segundo os pesquisadores, mais de 65% dos participantes deixaram de ser classificados como obesos ao final do acompanhamento.
Apesar dos resultados considerados promissores, a retatrutida ainda está em fase de desenvolvimento e depende da conclusão de novos estudos e da aprovação dos órgãos reguladores de saúde antes de chegar ao mercado.
Especialistas alertam que não há versões autorizadas do medicamento disponíveis no Brasil. As autoridades também chamam atenção para os riscos do mercado ilegal de produtos voltados ao emagrecimento, que podem ser comercializados sem garantia de segurança ou eficácia.

