Estudo identificou que produto das abelhas sem ferrão reduz a glicemia de jejum e melhora o metabolismo da glicose em testes pré-clínicos
Uma pesquisa desenvolvida pela cientista Kemilla Sarmento Rebelo, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), identificou que o samburá, produto produzido por abelhas sem ferrão, pode contribuir para o tratamento do diabetes ao reduzir a glicemia de jejum e melhorar o metabolismo da glicose.
O trabalho rendeu à pesquisadora o prêmio internacional MZ Mustafa for Young Researcher in Meliponitherapy, concedido pela International Bee Research Association (IBRA), durante o International Symposium on Stingless Bees (ISSB IBRA 2026), realizado de forma on-line, com sede na Grécia.
Segundo o estudo, realizado em modelo pré-clínico com animais obesos, o samburá promove alterações na microbiota intestinal associadas à melhora do metabolismo da glicose. É a primeira pesquisa a demonstrar essa relação para o produto, conhecido como o “pólen das abelhas sem ferrão”.
De acordo com Kemilla Rebelo, os resultados indicam potencial para futuras aplicações no tratamento do diabetes, embora ainda sejam necessários estudos em seres humanos para comprovar a eficácia e a segurança da substância.
“A modificação da microbiota intestinal foi associada à melhoria do metabolismo sistêmico da glicose, indicando grande potencial do samburá para uso por pessoas com diabetes”, afirmou a pesquisadora.
Além dos resultados científicos, a premiação também reconheceu a produção acadêmica da pesquisadora, avaliada por uma comissão internacional formada por especialistas de diferentes continentes.
Como parte da premiação, Kemilla recebeu um exemplar do livro Stingless Bee Therapeutic Biomaterials: Novel Anti-Antimicrobial-Resistant Agents (Springer Nature, 2026) e uma assinatura anual do Journal of Apicultural Research, publicação científica da IBRA.
Potencial da Amazônia
Segundo a pesquisadora, o samburá ainda é pouco estudado, apesar da grande diversidade de abelhas sem ferrão existentes no mundo. O Amazonas concentra uma das maiores variedades dessas espécies, o que amplia o potencial para novas pesquisas voltadas à saúde, nutrição e bioeconomia.
O Inpa mantém uma coleção viva de abelhas sem ferrão e desenvolve estudos sobre produtos derivados de espécies nativas, buscando aplicações nas áreas de alimentação, saúde e desenvolvimento sustentável.
Trajetória
Kemilla Rebelo ingressou no Inpa há cerca de um ano, após atuar como professora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). A pesquisa premiada foi desenvolvida durante o doutorado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com parte dos estudos realizada na Universidade de Copenhague, na Dinamarca.
O trabalho contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), que financiou parte da pesquisa por meio de bolsa de estudos.



