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Iniciativa sobre sustentabilidade desenvolvida em três escolas públicas teve metodologia publicada em revista científica e aceita pela editora Springer

Um projeto desenvolvido em escolas públicas de Manaus para aproximar estudantes de temas como sustentabilidade, inovação e empreendedorismo ganhou reconhecimento científico internacional. Criado entre 2023 e 2024, o Projeto Escola ESG teve sua metodologia publicada em artigo científico e um segundo estudo foi aceito pela editora Springer, uma das maiores editoras científicas do mundo.

Idealizada pelo professor Marcelo Brito da Silva, a iniciativa também foi objeto de uma pesquisa de pós-doutorado realizada entre 2025 e 2026 no Instituto Politécnico de Leiria, em Portugal, que analisou os resultados obtidos nas escolas da capital amazonense.

Projeto aproximou estudantes do mercado

O Projeto Escola ESG foi desenvolvido no Colégio Militar da Polícia Militar VII (CMPM VII), na Escola Estadual Professor Octávio Mourão e na Escola Estadual Inspetora Dulcineia Varela Moura.

Ao longo de dois anos, os estudantes participaram de visitas pedagógicas, oficinas e atividades práticas para conhecer de perto como empresas e instituições desenvolvem ações voltadas à sustentabilidade, inovação e responsabilidade socioambiental.

Foram realizadas 19 visitas pedagógicas, que resultaram em 653 EduCotas — indicador criado pelo projeto para registrar a participação dos alunos nas atividades promovidas com as empresas parceiras.

Segundo o coordenador Marcelo Brito da Silva, a experiência ampliou a perspectiva dos estudantes sobre oportunidades profissionais.

“Eles entraram nas empresas não como visitantes, mas como jovens que perguntaram, observaram e interpretaram. Muitos passaram a enxergar naquele ambiente uma possibilidade de futuro.”

Experiência virou pesquisa científica

Os resultados alcançados nas escolas motivaram a produção de pesquisas acadêmicas. O primeiro artigo foi publicado na Revista Eletrônica de Ciências da Sustentabilidade (RECSA), da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Já o segundo estudo foi aceito para publicação pela Springer.

Além das publicações, a metodologia foi apresentada durante o VIII Congresso Internacional de Educação Ambiental dos Países e Comunidades de Língua Portuguesa, realizado em Manaus, em 2025.

Para Marcelo Brito, o reconhecimento demonstra que experiências desenvolvidas na escola pública podem gerar conhecimento científico e servir de referência para outras iniciativas.

Alunos criaram soluções sustentáveis

As atividades desenvolvidas deram origem a projetos criados pelos próprios estudantes. Entre eles estão um telejornal sobre combustível sustentável de aviação (SAF), um equipamento didático para explicar a produção de hidrogênio verde e biojoias produzidas com materiais reaproveitados e elementos da Amazônia.

O projeto também promoveu oficinas de empreendedorismo, ideathon e hackathon, incentivando os alunos a desenvolver soluções para desafios ambientais e sociais.

Empresas abriram as portas para o aprendizado

O Projeto Escola ESG contou com a participação de oito empresas e instituições parceiras: Visteon Amazonas, Fundação Rede Amazônica, Flex, Tutiplast, Cigás do Amazonas, Eucatur Urbano, Águas de Manaus e Breitener Energética.

Durante as visitas, os estudantes conheceram fábricas, laboratórios, estações de tratamento de água, sistemas de transporte urbano, unidades de geração de energia e os bastidores da produção jornalística.

Na Fundação Rede Amazônica, os alunos participaram de três visitas pedagógicas e acompanharam uma atividade conduzida pelo escritor Ronaldo Barcelos, autor do livro Guerreiros da Amazônia, que abordou sustentabilidade e valorização da floresta por meio da literatura.

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