Estudos apontam que partículas plásticas já contaminam rios amazônicos e representam riscos para peixes e para a segurança alimentar da população.
Os microplásticos já são uma ameaça para duas das espécies de peixes mais consumidas na Amazônia: o pirarucu e o jaraqui. Pesquisas realizadas na região mostram que as partículas plásticas estão presentes em rios, lagos e igarapés e podem comprometer a saúde dos animais, afetando também a população que depende do pescado como principal fonte de alimentação.
Pirarucu pode ser mais vulnerável
No caso do pirarucu (Arapaima gigas), o risco está relacionado a uma característica única da espécie. O peixe precisa subir regularmente à superfície para respirar ar por meio de uma bexiga natatória adaptada, que funciona como um pulmão primitivo.
Segundo pesquisadores, essa adaptação aumenta a possibilidade de contato com microplásticos que flutuam na água. As partículas podem causar obstruções, inflamações e interferir no funcionamento do sistema respiratório, além de comprometer processos fisiológicos importantes.
Especialistas também alertam que os microplásticos podem transportar substâncias químicas e reter minerais essenciais ao organismo dos peixes, provocando estresse e reduzindo a capacidade de crescimento.
Jaraqui também apresenta contaminação
A presença de microplásticos também já foi identificada no jaraqui, um dos peixes mais consumidos no Amazonas. Um estudo realizado no Lago Puraquequara, em Manaus, encontrou partículas plásticas no intestino de metade dos exemplares analisados.
Pesquisas apontam ainda que igarapés urbanos apresentam os maiores índices de contaminação, consequência do descarte irregular de lixo e do lançamento de esgoto sem tratamento.
Impactos para a biodiversidade
Além dos danos aos peixes, os pesquisadores alertam que a poluição por microplásticos pode comprometer toda a cadeia alimentar da Amazônia.
Os estudos indicam que as partículas já foram encontradas em espécies de diferentes hábitos alimentares, desde peixes que vivem no fundo dos rios até predadores, indicando que a contaminação está disseminada nos ecossistemas aquáticos.
Outro fator de preocupação é o pulso natural de cheias e secas da Amazônia. Durante as enchentes, os microplásticos são transportados para novas áreas. Já na estiagem, tendem a se concentrar em lagos, canais e sedimentos, aumentando a exposição da fauna.
Risco também para a população
Os cientistas destacam que a presença de microplásticos nos peixes pode representar uma rota de exposição para os seres humanos, especialmente na Amazônia, onde o consumo de pescado está entre os maiores do país.
Embora ainda faltem estudos específicos sobre a contaminação em peixes amazônicos destinados ao consumo humano, pesquisadores afirmam que a preservação da qualidade dos rios é fundamental para proteger a biodiversidade e garantir a segurança alimentar das populações que dependem desses recursos.



