Capital amazonense é uma das cinco cidades escolhidas pelo IBGE para testar metodologia que será utilizada no levantamento nacional previsto para 2028
Manaus é uma das cinco capitais brasileiras escolhidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para a realização da primeira prova piloto do Censo Nacional da População em Situação de Rua. A operação começou nesta segunda-feira (31) e segue até sexta-feira (4), com o objetivo de testar procedimentos metodológicos, tecnológicos e operacionais que deverão ser utilizados no primeiro levantamento nacional específico para essa população, previsto para 2028.
Durante cinco dias, as equipes do IBGE vão percorrer diferentes regiões da capital para avaliar como será realizada a coleta de informações. A operação contará com 81 pessoas, entre recenseadores, observadores e profissionais de apoio.
Ao todo, serão percorridos 32 roteiros distribuídos pelas quatro zonas de Manaus. Seis equipes estarão em campo, com grupos formados por 13 a 20 integrantes, além de cinco coordenadores. Os trabalhos serão realizados durante quatro noites e em um período diurno.
Segundo Marta Antunes, gerente de Povos e Comunidades Tradicionais e Grupos Populacionais Específicos do IBGE, atualmente não existe uma estatística nacional padronizada que permita comparar a população em situação de rua entre as diferentes cidades brasileiras.
A expectativa é que o censo nacional permita identificar não apenas o número de pessoas nessa condição, mas também diferentes perfis, características e necessidades dessa população.
Manaus como cidade-piloto
A capital amazonense foi escolhida para a primeira prova piloto por apresentar características consideradas importantes para testar a operação.
Entre os fatores estão a presença significativa de população indígena em contexto urbano, além do fluxo de migrantes e refugiados venezuelanos. O cenário permitirá ao IBGE avaliar, por exemplo, a necessidade de intérpretes e estratégias para superar possíveis barreiras linguísticas e culturais durante as entrevistas.
Para Francisco Braz, superintendente do IBGE no Amazonas, a realização do teste em uma capital com as dimensões e características de Manaus é importante para avaliar diferentes aspectos da operação.
A prova piloto também vai analisar o tamanho das equipes, a logística, a mobilidade, o questionário e a forma de abordagem da população.
Abordagem respeitosa
Conforme o planejamento do IBGE, os agentes deverão realizar as abordagens de maneira respeitosa, levando em consideração os modos de vida, comportamentos e costumes das pessoas em situação de rua.
O instituto informou que não serão adotados procedimentos coercitivos ou discriminatórios. A coleta deverá respeitar a diversidade e as características de cada pessoa abordada.
A metodologia também busca enfrentar a falta de informações sobre os diferentes fatores que podem levar uma pessoa à situação de rua.
Segundo Fernando Laudannam, tecnologista do IBGE e integrante da Coordenação Técnica do Censo Demográfico, a produção de dados padronizados é necessária para que governos possam elaborar políticas públicas direcionadas a essa população.
Teste em cinco capitais
Além de Manaus, a primeira prova piloto está sendo realizada simultaneamente em Salvador, Belo Horizonte, Florianópolis e Goiânia.
Os resultados da operação serão utilizados pelo IBGE para identificar dificuldades e aperfeiçoar os procedimentos antes da realização do Censo Nacional da População em Situação de Rua, previsto para 2028.
A expectativa é que o levantamento nacional produza, pela primeira vez, dados oficiais comparáveis sobre essa população em diferentes cidades brasileiras, oferecendo informações que possam servir de base para políticas públicas nas áreas de assistência social, saúde, habitação, educação e outras áreas.



