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Foto: Liam Cavalcante Rede Amazônica
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Prefeitura aponta Itacoatiara como principal origem da fumaça, mas não esclarece se incêndio no Distrito Industrial 2 também contribui para a poluição do ar

A fumaça que encobriu Manaus novamente nesta quinta-feira (8) é proveniente de queimadas na Região Metropolitana, principalmente no município de Itacoatiara, segundo a Prefeitura de Manaus. A concentração de partículas finas no ar chegou a 73,65 microgramas por metro cúbico (µg/m³) às 8h50, índice classificado como ruim. No entanto, a gestão municipal não informou se o incêndio em um terreno no Distrito Industrial 2, na Zona Leste da capital, também contribui para a poluição. O fogo começou na terça-feira (6) e continuava ativo nesta quinta, após mais de 40 horas.

Por volta das 15h, a concentração de partículas finas caiu para 47,5 µg/m³, conforme dados divulgados pela Prefeitura. Apesar da redução, o nível permaneceu acima do considerado adequado para a qualidade do ar.

A qualidade do ar é considerada boa quando a concentração de partículas finas, conhecidas como MP2,5, fica entre zero e 25 µg/m³. Acima desse limite, a classificação varia de moderada a péssima, conforme a escala utilizada pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Prefeitura aponta queimadas em Itacoatiara

Em nota, a Prefeitura afirmou que a fumaça que chegou à capital tem origem em queimadas na Região Metropolitana, principalmente em Itacoatiara, onde dois incêndios foram registrados.

Um dos focos começou na quarta-feira (7), nas proximidades do bairro Jacarezinho, e permanecia ativo nesta quinta. O outro incêndio começou em 19 de setembro, na região do Lago do Canaçari, e chegou ao 19º dia.

A gestão municipal também afirmou que Manaus está entre as cidades do Amazonas com menor número de focos de incêndio, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A Prefeitura citou ações de prevenção, fiscalização e monitoramento realizadas na capital, mas não esclareceu se o incêndio no Distrito Industrial 2 tem relação com a fumaça que encobre a cidade.

Governo relaciona queimadas ao El Niño

O Governo do Amazonas também anunciou a ampliação das ações de monitoramento, fiscalização e combate aos incêndios. Nesta quinta-feira, o governador Roberto Cidade (União Brasil) reuniu o Comitê de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais para discutir medidas diante do avanço das queimadas.

Diferentemente da Prefeitura, o governo estadual não apontou um município específico como origem da fumaça. O secretário de Estado do Meio Ambiente, Miqueias Santos, relacionou o cenário à intensificação das queimadas, à estiagem e às condições climáticas associadas ao El Niño.

“Essa anomalia do El Niño demonstra, inclusive, que vai se atenuar e vai continuar por um período muito grande essa seca no nosso estado, como mostram os cenários que estamos acompanhando”, declarou o secretário.

Segundo o governo, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) mantém integração com as secretarias municipais e acompanha os cenários climáticos e a distribuição dos focos de calor.

Amazonas registra mais de 4 mil focos de calor

O Governo do Amazonas informou que cerca de mil servidores e brigadistas participam da Operação Amazonas+Verde, que atua em 33 municípios. O Corpo de Bombeiros também mantém bases permanentes em 25 municípios do interior e recebeu cinco viaturas para combater incêndios florestais, além de uma aeronave especializada.

Na Região Metropolitana de Manaus, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) intensificou as fiscalizações e utiliza imagens de satélite e sistemas de monitoramento para identificar focos de calor e orientar as equipes.

Dados do Inpe apontaram 4.370 focos de calor no Amazonas entre 1º de setembro e 6 de outubro. O governo também informou que o uso do fogo está proibido em todo o estado por 120 dias, conforme decreto publicado em setembro, respeitadas as exceções previstas na legislação.

Alerta de qualidade do ar atinge municípios do interior

Um alerta emitido pela Defesa Civil do Amazonas na noite de quarta-feira apontou qualidade do ar classificada como ruim ou muito ruim em Manaus, Novo Aripuanã, Novo Airão, Careiro, Iranduba, Careiro da Várzea, Maués, São Sebastião do Uatumã, Barreirinha e Parintins.

Na manhã desta quinta-feira, um novo aviso indicou qualidade do ar moderada em outros 14 municípios. O alerta é válido até a manhã de sexta-feira (9).

Além da fumaça, um aviso de onda de calor permanece ativo até domingo (11), com previsão de temperaturas acima de 38°C em Manaus e em outros municípios da Região Metropolitana.

Saúde orienta reduzir exposição à fumaça

A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) recomenda que a população reduza a exposição à fumaça, principalmente crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas.

A orientação é evitar atividades físicas ao ar livre nos períodos de maior poluição, manter a hidratação e proteger os olhos e o nariz. Quando não for possível evitar a exposição, máscaras do tipo N95 podem ajudar a reduzir a inalação de partículas.

Tosse, irritação ou dor de garganta, ardência nos olhos, coriza, dor de cabeça, chiado no peito e falta de ar são alguns dos sintomas que exigem atenção. Pessoas com sintomas leves devem procurar uma unidade básica de saúde. Casos graves precisam de avaliação em serviços de pronto atendimento. Em emergências, o Samu pode ser acionado pelo telefone 192.

Queimadas ilegais e outras infrações ambientais podem ser denunciadas ao Ipaam pelo WhatsApp (92) 98557-9454. Em Manaus, a Guarda Municipal recebe denúncias pelo número 153. Para comunicar incêndios, o Corpo de Bombeiros atende pelo 193.

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