Aeronave do Corpo de Bombeiros começou a atuar no Distrito Industrial 2 nesta quinta-feira (8); fogo já dura mais de 48 horas e fumaça afeta a qualidade do ar na capital
Um avião com capacidade para lançar até 1.930 litros de água por operação começou a ser utilizado no combate ao incêndio que atingiu uma área de descarte de resíduos e um trecho de mata no Distrito Industrial 2, na Zona Leste de Manaus. O fogo começou na terça-feira (6) e já durava mais de 48 horas nesta quinta-feira (8), quando o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) reforçou o trabalho com a aeronave e manteve equipes em solo.
O avião, modelo Thrush S2R-510, foi utilizado pela primeira vez na capital na manhã desta quinta-feira. O equipamento integra os novos veículos adquiridos pelo CBMAM e pela Defesa Civil do Amazonas para ampliar a capacidade de resposta a incêndios florestais. A aeronave já havia sido empregada em ocorrências recentes nos municípios de Parintins, Iranduba e Itacoatiara.
Segundo o fabricante, o avião opera em velocidades entre 145 km/h e 241 km/h e possui um reservatório, chamado hopper, com capacidade para 1.930 litros de líquido utilizado no combate às chamas.
Além da aeronave, o Corpo de Bombeiros recebeu cinco viaturas Auto Bomba Tanque Florestal (ABTF), destinadas às ações de prevenção, monitoramento e combate a incêndios, inclusive em áreas de difícil acesso.
Bombeiros já utilizaram mais de 150 mil litros de água
O incêndio atingiu uma área superior a 15 mil metros quadrados, conforme informações divulgadas pelo CBMAM na quarta-feira (7). Desde o início da ocorrência, bombeiros e brigadistas utilizaram mais de 150 mil litros de água para tentar conter o avanço das chamas.
Mesmo após mais de dois dias de combate, as equipes continuavam no local nesta quinta-feira, concentradas no rescaldo e no monitoramento da área para identificar possíveis focos remanescentes e evitar que o fogo se espalhasse novamente. O trabalho também conta com viaturas e um drone.
A causa do incêndio ainda está sendo investigada.
Fumaça prejudica qualidade do ar em Manaus
A fumaça provocada pelo incêndio se espalhou por diferentes áreas de Manaus e contribuiu para a piora da qualidade do ar. Na manhã desta quinta-feira, a capital chegou a liderar o ranking das cidades com o ar mais poluído do Brasil, segundo dados em tempo real da plataforma internacional IQAir.
O Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), classificou a qualidade do ar como péssima em pontos da cidade. Entre as áreas mais afetadas estavam os bairros Morro da Liberdade e Educandos, onde foram registrados índices de até 211 microgramas por metro cúbico (µg/m³) de partículas poluentes.
A qualidade do ar é considerada boa quando a concentração de partículas fica entre zero e 25 µg/m³. Acima desse limite, os níveis passam por classificações que variam de moderados a péssimos, conforme a escala do Selva.
A Prefeitura de Manaus afirmou que a fumaça que chegou à capital também está relacionada a queimadas na Região Metropolitana, principalmente em Itacoatiara. O governo estadual, por sua vez, ampliou as ações de monitoramento e combate aos incêndios no Amazonas.
Empresa responsável pela área recebe multa de R$ 5,5 milhões
Na quarta-feira (7), o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) multou em R$ 5,5 milhões o Auto Posto Lima, responsável pelo terreno atingido pelo incêndio.
Durante a fiscalização, os agentes identificaram o descarte irregular de materiais inflamáveis e poluentes, incluindo pneus, plásticos e resíduos contaminados com óleo e tinta.
Segundo o Ipaam, a licença ambiental autorizava o recebimento apenas de resíduos inertes da construção civil. Os materiais encontrados no local não estavam previstos nas condições da autorização.
Em nota, o Auto Posto Lima informou que as causas do incêndio continuam sob investigação. A empresa afirmou que possui Licença de Operação válida e que apresentará defesa após receber a notificação oficial do auto de infração.



