Cerimônia no Palácio Gustavo Capanema, recém-reformado, marcou a entrega da condecoração pelo presidente Lula e a ministra Margareth Menezes
Após cinco anos suspensa, a Ordem do Mérito Cultural (OMC) voltou a ser concedida nesta terça-feira (20), em cerimônia que também celebrou a entrega do Palácio Gustavo Capanema, reformado e aberto ao público. Cento e onze pessoas e 14 instituições foram homenageadas com a comenda entregue pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela ministra da Cultura, Margareth Menezes.
As condecorações foram divididas em três graus: Grã-Cruz (41 homenageados), para as maiores distinções; Comendador (33), para contribuições de destaque; e Cavaleiro (37), para reconhecimentos relevantes em suas áreas. A seleção contou com participação popular, com 11.318 indicações recebidas por meio de formulário digital em dez dias, contemplando representantes de diversas regiões e segmentos culturais, como artes cênicas, música, literatura, audiovisual, culturas urbanas e populares.
“A cultura brasileira se fortalece com esse reconhecimento simbólico e necessário, que também celebra a entrega desta obra de arte, o Palácio Capanema, que impactou o mundo”, destacou a ministra Margareth Menezes. Ela ainda adiantou que em 2026 a entrega da OMC será realizada novamente com número semelhante de agraciados.
Durante a cerimônia, os Correios lançaram dois selos: um em homenagem aos 40 anos do Ministério da Cultura e outro em memória da advogada e ativista dos direitos indígenas Eunice Paiva, que lutou para esclarecer o desaparecimento do marido, o ex-deputado Rubens Paiva, na ditadura.
Entre os homenageados, o escritor Marcelo Rubens Paiva, que recebeu a Grã-Cruz, lembrou a memória dos pais Eunice e Rubens Paiva. “Quem está aqui hoje não sou eu, é a memória deles”, disse, ao lado da atriz Fernanda Torres e do diretor Walter Salles, também condecorados. O filme “Ainda Estou Aqui”, protagonizado por Fernanda Torres e dirigido por Salles, venceu o Oscar de Melhor Filme Internacional e é baseado no livro escrito por Marcelo.
A cantora e deputada estadual Leci Brandão celebrou a homenagem, destacando o simbolismo da entrega do Palácio Capanema ao público. Para o cantor Chico César, a condecoração mostra que o governo e a sociedade devem valorizar a cultura, superando tempos em que artistas eram desrespeitados por autoridades.
A escritora Conceição Evaristo afirmou que a devolução do Palácio Capanema é uma reafirmação da luta pela liberdade, e que receber a comenda é uma homenagem a todas as mulheres negras brasileiras. O escritor indígena Daniel Munduruku destacou a arte como instrumento de resistência e valorização da diversidade brasileira. A atriz Zezé Motta celebrou a comenda afirmando que “vale a pena lutar”.
No evento, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, pediu ao presidente Lula que conceda à cidade o título de capital honorária do Brasil, destacando o orgulho da cidade em representar o país no mundo.
Do lado de fora, servidores do Ministério da Cultura em greve desde abril manifestaram-se pelo plano de cargos. A ministra Margareth Menezes reafirmou que a reivindicação é justa e que o plano está em análise no Ministério da Gestão e Inovação dos Serviços Públicos.



