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Procedimento inédito no Amazonas usou telemonitoramento em tempo real e pode abrir caminho para mais cirurgias complexas na região

Uma cirurgia cardíaca realizada esta semana em Manaus marcou um avanço na medicina do Amazonas. A equipe médica do Hospital Francisca Mendes operou a pequena Aysha, de 1 ano e 3 meses, com o apoio, em tempo real, de especialistas do Hospital do Coração (HCor), em São Paulo, que estavam a quase 3 mil quilômetros de distância.

Aysha nasceu com uma cardiopatia congênita — uma comunicação anormal entre duas válvulas do coração — e precisava de uma intervenção delicada. O procedimento foi bem-sucedido e a recuperação da criança é considerada excelente.

“Ela já está bem, a pressão normalizou, não teve nenhuma intercorrência. Graças a Deus, deu tudo certo”, comemorou a mãe, Larissa Izabelle Oliveira de Almeida.

A tecnologia utilizada na cirurgia faz parte do Proadi-SUS, o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde. Câmeras e microfones foram instalados na sala cirúrgica em Manaus, permitindo que os médicos do HCor acompanhassem cada etapa do procedimento, orientando e trocando informações com a equipe local.

De acordo com o cirurgião cardíaco pediátrico do HCor, Marcelo Jatene, o objetivo não é ensinar procedimentos básicos, mas discutir estratégias e escolhas durante a operação. “Ninguém vai ensinar a dar um ponto ou amarrar um fio. Mas podemos sugerir o melhor caminho, a melhor estratégia cirúrgica. Isso faz toda diferença”, afirmou.

O cirurgião George Butel, que conduziu a operação em Manaus, é um dos três especialistas na área no Amazonas e já realizou mais de mil cirurgias cardíacas pediátricas. Para ele, a troca de experiências é fundamental. “A gente compartilha o caso e recebe orientações baseadas na experiência de quem já enfrentou situações parecidas. Isso é muito valioso”, destacou.

O impacto desse modelo de cirurgia vai além do procedimento em si. No Brasil, cerca de 29 mil crianças nascem todos os anos com algum tipo de cardiopatia congênita, segundo dados do Ministério da Saúde. Dessas, aproximadamente 80% precisam de cirurgia, geralmente realizada em grandes centros do Sudeste. Isso obriga famílias a enfrentarem longas viagens, custos com hospedagem e a distância de casa.

A meta do programa é justamente reduzir essa dependência, capacitar profissionais locais e aumentar o número de cirurgias feitas na própria região. A coordenadora médica da cardiopediatria do HCor, Ieda Jatene, reforça os benefícios. “É muito melhor para a criança e para a família. A mãe pode estar presente no pós-operatório, sem precisar se deslocar para tão longe”, explicou.

O projeto prevê a realização de cirurgias com telemonitoramento também em Recife (PE) e Fortaleza (CE), com a expectativa de atender casos cada vez mais complexos, até que as equipes locais possam atuar de forma totalmente autônoma.

Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a iniciativa representa um avanço significativo no SUS. “É uma virada de chave. Une um centro de excelência internacional à redução do tempo de espera e leva atendimento de qualidade, no tempo certo, para vários cantos do país”, afirmou.

Enquanto o projeto avança, para a família da pequena Aysha, o resultado já é motivo de comemoração. “Agora ela vai crescer mais saudável do que já é. Só gratidão”, disse Larissa, emocionada.

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