Instituto vai recrutar 700 voluntários para avaliar a segurança e eficácia do imunizante contra o vírus H5N8; expectativa é concluir o estudo até 2026
O Instituto Butantan recebeu nesta terça-feira (1º) autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para iniciar os testes em humanos da vacina contra a gripe aviária do subtipo H5N8. O imunizante, desenvolvido pela instituição, será testado em 700 voluntários adultos e idosos nas fases 1 e 2 dos ensaios clínicos.
A pesquisa será conduzida em cinco centros de estudo, localizados em Recife, São Paulo, Belo Horizonte, São José do Rio Preto e Ribeirão Preto. O objetivo é avaliar a segurança e a capacidade da vacina de estimular uma resposta imune. O produto será aplicado em duas doses, com intervalo de 21 dias entre elas, e os resultados serão comparados aos de um grupo que receberá placebo.
Os testes começam com 70 adultos, que serão vacinados em Recife. Se os dados iniciais de segurança forem positivos, o estudo avançará para 280 participantes adicionais em outras cidades. Depois, será a vez dos idosos, com um primeiro grupo de 70 pessoas, seguido por mais 350 voluntários, totalizando os 700 previstos.
A estimativa do Butantan é concluir o acompanhamento dos participantes em 2026 e apresentar à Anvisa um pacote regulatório abrangente, que permita o uso do imunizante em diferentes faixas etárias.
Apesar de os casos de gripe aviária em humanos serem raros e geralmente ocorrerem após contato com aves ou mamíferos contaminados, a taxa de mortalidade alta (cerca de 50%) e a possibilidade de mutações preocupam os cientistas. Até agora, não há comprovação de transmissão entre pessoas, mas especialistas alertam para o risco caso o vírus adquira essa capacidade.
“O vírus já é capaz de passar de aves para humanos e de mamíferos para humanos. Falta apenas a transmissão entre pessoas, o que seria extremamente perigoso”, alerta o pesquisador Paulo Lee Ho, do Butantan.
Segundo o diretor do instituto, Esper Kallás, o Butantan poderá produzir até 30 milhões de doses da vacina em caso de necessidade emergencial. “Nosso foco é preparar o Brasil para um possível cenário de pandemia”, afirma.



