Humanidade já esgotou os recursos naturais que o planeta pode regenerar ao longo do ano, segundo organização internacional
Nesta quinta-feira (24), o mundo alcança o Dia da Sobrecarga da Terra, data simbólica criada para marcar o momento em que a exploração de recursos naturais ultrapassa a capacidade anual de regeneração do planeta. O alerta é da Global Footprint Network, organização internacional de sustentabilidade responsável pelo cálculo, feito com base nas Contas Nacionais de Pegada e Biocapacidade, da Universidade de York.
De acordo com a entidade, a humanidade está consumindo recursos a uma velocidade 1,8 vez maior do que os ecossistemas conseguem se recompor em um ano. O cálculo considera, entre outros fatores, emissões de carbono além da capacidade de absorção, consumo excessivo de água doce e extração de madeira acima do ritmo de crescimento florestal.
A situação não é nova. Nos últimos 15 anos, o Dia da Sobrecarga da Terra tem ocorrido sempre próximo ao meio do ano, o que significa que, durante quase metade do calendário, a pegada ecológica global permanece acima da biocapacidade do planeta. O resultado é o acúmulo de uma “dívida ecológica” crescente e efeitos colaterais como perda de biodiversidade, insegurança alimentar e energética, e aumento dos riscos climáticos.
Falhas e soluções possíveis
Para especialistas da Global Footprint Network, o cenário é reflexo de uma falha de mercado global, onde recursos naturais são subvalorizados e usados em excesso, tornando-se cada vez mais escassos. A boa notícia, segundo a organização, é que há soluções viáveis e financeiramente sustentáveis para reverter a tendência e adiar a data da sobrecarga nos próximos anos.
Uma das medidas com maior potencial de impacto seria a redução em 50% das emissões de carbono provenientes de combustíveis fósseis, o que poderia empurrar a data em até três meses, de acordo com a entidade. Outras áreas apontadas como estratégicas incluem o planejamento urbano, alimentação sustentável, controle populacional e manejo adequado dos ecossistemas.
“Já se passou um quarto do século XXI e devemos ao planeta pelo menos 22 anos de regeneração ecológica, mesmo que não causássemos mais nenhum dano a partir de hoje”, alerta Lewis Akenji, do conselho da Global Footprint Network. “Se ainda quisermos chamar este planeta de lar, precisamos de uma escala de ambição em adaptação e mitigação que ofusque qualquer investimento histórico já feito”, conclui.



