Ciência e Tecnologia

Foto: Reprodução
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Ferramenta avalia mudanças na coloração do peixe e pode melhorar bem-estar e seleção genética na piscicultura

Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Jaboticabal, em parceria com a Embrapa, desenvolveram uma ferramenta de inteligência artificial (IA) capaz de avaliar o estresse do tambaqui (Colossoma macropomum), peixe nativo mais produzido no Brasil. O estudo foi publicado na revista Aquaculture.

O projeto, coordenado por Diogo Hashimoto, do Centro de Aquicultura da Unesp (Caunesp), utiliza fotos dos peixes para detectar alterações na coloração das escamas, associadas a ambientes estressantes ou à presença de hormônios ligados ao estresse. “Treinamos um software com mais de 3 mil imagens para definir um limiar de estresse que possa orientar piscicultores e programas de seleção genética, pois essa é uma característica herdável”, explica Hashimoto.

Foram fotografados 3.780 tambaquis de duas populações: 1.280 no Caunesp e 2.500 na Embrapa Pesca e Aquicultura, em Palmas (TO), com a colaboração da pesquisadora Luciana Shiotsuki. Cada imagem teve a região inferior do corpo marcada para análise pelo software, explorando o contraste natural com a parte superior, fenômeno conhecido como countershading.

O modelo de aprendizado profundo (deep learning) analisou o número de pixels pretos e brancos para indicar o grau de estresse. Experimentos comprovaram que a coloração mais escura corresponde a níveis mais altos de estresse, e que a característica é moderada a altamente herdável, refletindo em ganho de peso e resistência a doenças.

Além disso, os pesquisadores testaram o efeito do hormônio α-MSH em escamas retiradas de seis peixes. Após 30 minutos, os melanóforos se expandiram, tornando as escamas mais escuras. Outro experimento, com peixes transferidos de tanques de 200 metros quadrados para reservatórios menores, mostrou o mesmo efeito em dez dias.

A ferramenta de IA permite monitorar o estresse apenas pelas fotos dos animais, auxiliando piscicultores a ajustar práticas de cultivo, como reduzir a densidade de peixes por tanque, promovendo maior bem-estar e produtividade.

O tambaqui é cultivado principalmente nos estados da região Norte, e o Brasil é o maior produtor mundial da espécie, com 110 mil toneladas em 2022. O projeto recebeu apoio da FAPESP e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

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