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Foto: Agência Brasil
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Fundação do Câncer alerta para risco de retrocesso nas políticas de controle do tabaco no Brasil

Brasília — O consumo de cigarros eletrônicos (vapes) entre jovens brasileiros tem crescido de forma acelerada, impulsionado por dispositivos cada vez mais camuflados e integrados ao cotidiano. O alerta foi feito pelo diretor executivo da Fundação do Câncer, o cirurgião oncológico Luiz Augusto Maltoni, em sintonia com a campanha da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o Dia Mundial sem Tabaco, celebrado neste domingo (31).

Apesar da proibição da comercialização no Brasil desde 2009 pela Anvisa, os vapes são facilmente encontrados em redes sociais, sites e no comércio informal. Dados da Receita Federal mostram que, apenas entre janeiro e fevereiro de 2026, foram apreendidas 238.801 unidades, o equivalente a mais de 4 mil dispositivos por dia.

Disfarces tecnológicos

Os novos formatos incluem dispositivos sem cheiro, com aromatizantes ou até embutidos em acessórios. Um exemplo são os “vaporizer hoodies”, moletons com vaporizadores integrados ao tecido, cujo bocal fica escondido na ponta do cordão do capuz.

“De uma maneira totalmente articulada, e muito mal articulada do ponto de vista da ética, criam até casaco com bocal escondido para a pessoa fumar. Tudo para tornar o jovem viciado”, criticou Maltoni.

Segundo ele, esses disfarces comprometem décadas de avanços nas políticas de controle do tabaco no Brasil, referência mundial na redução da prevalência de fumantes.

Crescimento alarmante

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024) revelou que a experimentação de cigarros eletrônicos entre estudantes de 13 a 17 anos passou de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024.

A consultora da Fundação do Câncer, Milena Maciel de Carvalho, alerta que a exposição à nicotina na adolescência pode afetar o desenvolvimento cerebral, aumentando a vulnerabilidade à dependência ao longo da vida. Além disso, os dispositivos expõem usuários a substâncias tóxicas, partículas ultrafinas, compostos orgânicos voláteis e metais pesados, associados a riscos respiratórios e cardiovasculares.

Campanha “Spoiler: ele não te ama”

Para marcar o Dia Mundial sem Tabaco, a Fundação lançou a campanha “Spoiler: ele não te ama”, parte do movimento Vape Off. O filme em formato de reportagem mostra jovens relatando um relacionamento abusivo que causou adoecimento, numa metáfora para o vício em nicotina.

Medidas defendidas

Maltoni defende que o Brasil adote medidas mais rígidas, citando o exemplo da Inglaterra, que proibiu a venda de qualquer produto de tabaco para quem nasceu após 1º de janeiro de 2009. O país também ampliou restrições à publicidade e ao apelo dos vapes entre crianças e adolescentes.

“O que estamos vendo agora é um risco real de retrocesso, embalado em tecnologia e integrado ao cotidiano dos jovens”, concluiu o diretor.

O avanço dos vapes entre adolescentes mostra que o desafio do controle do tabaco no Brasil ganhou uma nova dimensão: a fusão entre dependência química e dependência digital, exigindo políticas públicas mais firmes e campanhas de conscientização voltadas especialmente para a juventude.

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