Ciência e Tecnologia

Foto: SBT/YouTube
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Fernando de Noronha, São Pedro e São Paulo e Trindade destacam-se por espécies endêmicas e relevância científica

Um estudo publicado nesta quarta-feira (10) pela Peer Community Journal aponta que ilhas oceânicas brasileiras podem se tornar referência mundial em diversidade de espécies endêmicas, superando inclusive Galápagos, tradicionalmente conhecida por suas tartarugas-gigantes e iguanas-marinhas.

O levantamento, liderado pelo pesquisador Hudson Pinheiro, da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), analisou mais de 7 mil espécies de peixes recifais em 87 ilhas ao redor do mundo. Entre as conclusões, os pesquisadores destacam que 40% das espécies ocorrem em mais de uma ilha da mesma região, mas não colonizam áreas continentais próximas, o que justifica um novo conceito científico chamado Endemismo Provincial-Insular.

“Esse conceito traz mais atenção a localidades que não são famosas por seu endemismo, mas que, na prática, possuem espécies únicas e relevantes para a ciência”, explica Pinheiro.

Ilhas brasileiras e espécies endêmicas

Segundo o estudo, muitas espécies presentes em Fernando de Noronha também ocorrem nas ilhas Atol das Rocas ou São Pedro e São Paulo, mas até então não eram contabilizadas como endêmicas. O levantamento detalhado mostra que as ilhas brasileiras têm importância mundial na proporção de espécies exclusivas, muitas ainda desconhecidas pela ciência.

Vulnerabilidade e mudanças climáticas

Pinheiro alerta que as ilhas oceânicas são mais difíceis de estudar que áreas continentais, exigindo expedições científicas, e que algumas espécies podem ter sido extintas antes de serem descobertas. O impacto das mudanças climáticas agrava essa situação, já que espécies das ilhas não conseguem migrar para regiões mais frias, como ocorre no continente.

Cooperação científica

O avanço das pesquisas foi possível graças à Marinha do Brasil, CNPq e organizações sociais, além da criação da primeira estação de mergulho científico mesofótico da América Latina, pelo Cebimar/USP, que permite estudo de ambientes com até 150 metros de profundidade.

Para Marion Silva, gerente de Conservação da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário, a descoberta reforça a urgência de proteger esse patrimônio natural, garantindo que o oceano continue fornecendo recursos, regulando o clima e inspirando soluções científicas.

“Nosso apoio se baseia na crença de que a ciência aplicada gera benefícios concretos para a sociedade. As expedições nas ilhas brasileiras atualizaram listas de espécies e revelaram novos registros para a ciência”, conclui Marion.

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