Presidente cobra medidas concretas, defende financiamento justo e propõe Conselho do Clima na ONU durante Cúpula em Belém
Durante a última sessão temática da Cúpula do Clima, realizada nesta sexta-feira (7) em Belém, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso contundente sobre a urgência da crise climática e a necessidade de ação coordenada entre os países. O evento antecede a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que ocorrerá de 10 a 21 de novembro na capital paraense.
Lula destacou que o mundo ainda está distante de cumprir os objetivos do Acordo de Paris, que completa 10 anos. O acordo visa limitar o aquecimento global a 1,5º C, mas segundo o presidente, o planeta caminha para um aumento de cerca de 2,5º C.
“Estamos realmente fazendo o melhor possível? A resposta é: ainda não”, afirmou Lula, ao cobrar mais ambição dos países signatários.
Ele alertou que regiões como América Latina, Ásia e África correm risco de se tornarem inabitáveis nas próximas décadas, com o desaparecimento de ilhas no Caribe e Pacífico devido ao aumento do nível dos oceanos.
Propostas e compromissos
Lula defendeu a revitalização das metas do Acordo de Paris por meio das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), e propôs medidas adicionais para preencher a lacuna entre a retórica e a realidade.
Entre os principais pontos do discurso:
- Reconhecimento dos territórios indígenas e comunidades tradicionais como instrumentos de mitigação climática
- Financiamento climático justo, com destaque para o Mapa do Caminho Baku-Belém, que propõe alcançar US$ 1,3 trilhão por ano para mitigação e adaptação
- Crítica ao modelo atual de financiamento, que oferece recursos em forma de empréstimos a países em desenvolvimento
- Defesa da troca de dívida por ações climáticas, tratando o enfrentamento da crise como investimento, não como gasto
Taxação de grandes fortunas
Lula também defendeu a tributação de super-ricos e corporações multinacionais como forma de financiar ações climáticas. Citando dados da Oxfam, ele apontou que o 0,1% mais rico do planeta emite mais carbono em um dia do que os 50% mais pobres em um ano.
“É legítimo exigir dessas pessoas uma maior contribuição”, disse o presidente, sugerindo que mercados de carbono também podem se tornar fontes de receita pública, desde que haja parâmetros comuns entre os países.
Multilateralismo e Conselho do Clima
Encerrando sua fala, Lula propôs a criação de um Conselho do Clima no âmbito da ONU e fez uma defesa enfática do multilateralismo como caminho para enfrentar a crise global:
“A Terra é única, a humanidade é uma só, a resposta tem que vir de todos para todos. Em vez de abandonar a esperança, podemos construir juntos uma nova era de prosperidade e igualdade.”
A Cúpula do Clima reuniu líderes de mais de 70 países, além de embaixadores e representantes diplomáticos, reforçando Belém como palco central das discussões climáticas globais. O Brasil, segundo Lula, está comprometido em liderar com responsabilidade e ambição.


