Política e Economia

Foto: Ricardo Stuckert
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Presidente cobra medidas concretas, defende financiamento justo e propõe Conselho do Clima na ONU durante Cúpula em Belém

Durante a última sessão temática da Cúpula do Clima, realizada nesta sexta-feira (7) em Belém, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso contundente sobre a urgência da crise climática e a necessidade de ação coordenada entre os países. O evento antecede a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que ocorrerá de 10 a 21 de novembro na capital paraense.

Lula destacou que o mundo ainda está distante de cumprir os objetivos do Acordo de Paris, que completa 10 anos. O acordo visa limitar o aquecimento global a 1,5º C, mas segundo o presidente, o planeta caminha para um aumento de cerca de 2,5º C.

“Estamos realmente fazendo o melhor possível? A resposta é: ainda não”, afirmou Lula, ao cobrar mais ambição dos países signatários.

Ele alertou que regiões como América Latina, Ásia e África correm risco de se tornarem inabitáveis nas próximas décadas, com o desaparecimento de ilhas no Caribe e Pacífico devido ao aumento do nível dos oceanos.

Propostas e compromissos

Lula defendeu a revitalização das metas do Acordo de Paris por meio das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), e propôs medidas adicionais para preencher a lacuna entre a retórica e a realidade.

Entre os principais pontos do discurso:

  • Reconhecimento dos territórios indígenas e comunidades tradicionais como instrumentos de mitigação climática
  • Financiamento climático justo, com destaque para o Mapa do Caminho Baku-Belém, que propõe alcançar US$ 1,3 trilhão por ano para mitigação e adaptação
  • Crítica ao modelo atual de financiamento, que oferece recursos em forma de empréstimos a países em desenvolvimento
  • Defesa da troca de dívida por ações climáticas, tratando o enfrentamento da crise como investimento, não como gasto

Taxação de grandes fortunas

Lula também defendeu a tributação de super-ricos e corporações multinacionais como forma de financiar ações climáticas. Citando dados da Oxfam, ele apontou que o 0,1% mais rico do planeta emite mais carbono em um dia do que os 50% mais pobres em um ano.

“É legítimo exigir dessas pessoas uma maior contribuição”, disse o presidente, sugerindo que mercados de carbono também podem se tornar fontes de receita pública, desde que haja parâmetros comuns entre os países.

Multilateralismo e Conselho do Clima

Encerrando sua fala, Lula propôs a criação de um Conselho do Clima no âmbito da ONU e fez uma defesa enfática do multilateralismo como caminho para enfrentar a crise global:

“A Terra é única, a humanidade é uma só, a resposta tem que vir de todos para todos. Em vez de abandonar a esperança, podemos construir juntos uma nova era de prosperidade e igualdade.”

A Cúpula do Clima reuniu líderes de mais de 70 países, além de embaixadores e representantes diplomáticos, reforçando Belém como palco central das discussões climáticas globais. O Brasil, segundo Lula, está comprometido em liderar com responsabilidade e ambição.

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