Política e Economia

Foto: Divulgação
Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp

Produção em Maués deve alcançar cerca de 800 toneladas e reflete décadas de pesquisa e adaptação climática

A abertura dos chamados “olhos da Amazônia” — quando os frutos do guaraná se abrem e revelam as sementes — marca oficialmente o início da safra do guaraná no interior do Amazonas. Em Maués, principal produtor da fruta no estado, a expectativa para este ano é de uma colheita em torno de 800 toneladas, celebrada por agricultores locais.

Planta típica da Amazônia, o guaraná é conhecido pelos frutos vermelhos e pelas sementes ricas em cafeína, amplamente utilizadas na produção de bebidas energéticas e em preparações tradicionais da região. Além da importância cultural, a cultura do guaraná representa uma das principais fontes de renda para milhares de famílias no interior do estado.

O bom desempenho da safra está diretamente ligado ao trabalho desenvolvido ao longo de quatro décadas de pesquisa. Nos anos 1980, a produção foi duramente afetada pela antracnose, doença fúngica que devastou plantações inteiras. A partir desse cenário, pesquisadores da Embrapa desenvolveram variedades resistentes, hoje responsáveis por garantir maior produtividade e segurança aos produtores.

Segundo o pesquisador da Embrapa, André Atroch, as condições climáticas também favoreceram o resultado deste ano.
“Não tivemos fatores extremos que prejudicassem a colheita. Chuvas intensas ou ventos fortes poderiam comprometer a produção”, explicou.

Além de Maués, o cultivo do guaraná vem se expandindo para outras regiões do estado. Na comunidade Jatuarana, na região metropolitana de Manaus, a cultura começou há sete anos como alternativa econômica. O produtor Ilmar Siqueira destaca o impacto positivo da fruta no sustento das famílias.
“A gente tinha uma expectativa muito fraca para a produção e o guaraná veio para melhorar o sustento da nossa família”, afirmou.

Apesar dos avanços, o cultivo ainda exige cuidados, especialmente nos primeiros anos. Entre 2022 e 2023, secas extremas provocaram perdas significativas, com cerca de 200 pés destruídos em algumas áreas. Ainda assim, a parceria entre agricultores e pesquisadores tem permitido a retomada e o fortalecimento da cultura no Amazonas.

Para o produtor rural João Batista, acompanhar o desenvolvimento das plantas é motivo de orgulho.
“Achei bonito quando começamos a colher. Foi ainda mais bonito ver os frutos se multiplicando”, disse.

Com expectativa positiva para a safra e tecnologias mais resistentes, o guaraná segue reafirmando seu papel econômico, cultural e simbólico como um dos grandes patrimônios agrícolas da Amazônia.

Você também pode gostar

Editorias