Empresários antecipam estoques e entidades pedem medidas fiscais para reduzir impactos da estiagem na navegação e no abastecimento
Mesmo antes do pico da cheia dos rios, previsto para julho, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) já alerta para uma estiagem intensa e prolongada no Amazonas. A possibilidade de seca severa preocupa autoridades e empresários, que antecipam medidas para evitar impactos logísticos e econômicos semelhantes aos registrados em anos anteriores.
Segundo o secretário da Defesa Civil do estado, coronel Francisco Máximo, o maior risco está no transporte fluvial, considerado vital para o abastecimento de Manaus e municípios do interior.
“Nossa maior preocupação inicia com o comprometimento da navegação, com impactos no âmbito econômico e social”, afirmou.
Estratégias do setor produtivo
Empresários já começaram a antecipar compras e formar estoques para o fim do ano. A Associação Comercial do Amazonas (ACA) solicitou ao governo estadual a manutenção da política de parcelamento do ICMS sobre produtos adquiridos antecipadamente, medida aplicada em 2024.
A Fecomércio-AM também defende planejamento fiscal para evitar descapitalização das empresas.
“Você paga por um produto que só vai vender depois, e isso pode impactar na geração de empregos”, destacou o presidente da entidade, Aderson Frota.
Logística comprometida
Em condições normais, navios vindos do Sudeste chegam a Manaus em até 35 dias. Em períodos de seca severa, o tempo pode chegar a 150 dias, já que grandes embarcações não conseguem navegar e as cargas precisam ser desembarcadas no Ceará ou Pará, seguindo em balsas menores até a capital. Esse processo gera custos extras, como a chamada “taxa da água” por contêiner.
A Antaq negocia para evitar cobranças adicionais durante a estiagem.
Comércio antecipa estoque
No Centro de Manaus, uma loja de importados já encomendou 70% dos produtos de fim de ano de fornecedores da Ásia. Parte das mercadorias já chegou à capital.
“Pagamos mais caro para armazenar antecipadamente, mas evitamos o aumento do frete no período de seca”, explicou o empresário Erick Bandeira.
Cenário
Com dimensões continentais e dependência dos rios como principais vias de transporte, o Amazonas enfrenta novamente o desafio de equilibrar logística, economia e abastecimento. A antecipação de medidas mostra que a seca amazônica deixou de ser apenas um fenômeno natural e passou a ser um fator estratégico para a economia regional.



