Avanço de vírus como VSR e adenovírus preocupa autoridades; maioria das internações é de bebês e crianças pequenas
O Amazonas entrou em estado de alerta no primeiro trimestre de 2026 com o avanço das doenças respiratórias graves. Dados da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) mostram que o estado já registrou 1.408 notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) até 23 de março — um aumento de 17,8% em relação ao mesmo período de 2025.
Apesar da Influenza ainda liderar entre os vírus identificados, autoridades de saúde apontam uma mudança no perfil da transmissão. O crescimento dos casos de Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e adenovírus tem chamado atenção, principalmente por afetar com mais intensidade crianças e idosos.
O impacto já é sentido nas internações. Bebês com menos de 1 ano concentram a maior parte dos casos graves, seguidos por crianças de 1 a 4 anos. Segundo o diretor de Vigilância Epidemiológica da FVS-AM, Alexsandro Melo, o retorno às aulas contribuiu para o aumento da circulação viral.
Entre os principais sintomas registrados estão tosse, febre, falta de ar e desconforto respiratório — este último considerado sinal de alerta para busca imediata por atendimento médico.
Mesmo com o número total elevado, a última semana epidemiológica registrou apenas oito novos casos confirmados, indicando uma possível desaceleração após picos em janeiro e fevereiro.
Para conter o avanço, a vacinação contra a gripe segue disponível para toda a população até 31 de maio, em mais de 160 pontos em Manaus. Além disso, novas estratégias foram incorporadas neste ano, como a imunização de gestantes contra o VSR e o uso do anticorpo monoclonal Nirsevimab em bebês prematuros.
Outro ponto de preocupação é a automedicação. Especialistas alertam que o uso indevido de antibióticos — comuns em quadros virais — pode agravar a situação, causar resistência bacteriana e até reações graves.
Dos casos registrados, 471 foram confirmados, com predominância entre homens (54,6%). Entre os fatores de risco mais associados às formas graves estão doenças cardiovasculares e diabetes.
No cenário nacional, dados recentes da Fiocruz indicam aumento da circulação do vírus Influenza A em todo o país, com tendência de crescimento dos casos de SRAG nas próximas semanas.
A orientação das autoridades é reforçar a vacinação, evitar levar crianças doentes à escola e procurar atendimento ao primeiro sinal de agravamento dos sintomas.



