Política e Economia

Foto: Divulgação
Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp

Baixa dos rios dificulta acesso das equipes de saúde e deixa cerca de 3,1 mil indígenas em comunidades afetadas no Amazonas e Pará

A estiagem já compromete o acesso a 29 das 154 aldeias atendidas pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Parintins, no Amazonas e no Pará. O número representa 18,8% das comunidades monitoradas e envolve uma população estimada em 3.150 indígenas.

Em uma das aldeias, em Maués, no interior do Amazonas, os moradores estão isolados e precisam caminhar cerca de 1h30 até outra comunidade para conseguir atendimento de saúde.

Os dados estão no boletim epidemiológico do DSEI Parintins, publicado em 17 de setembro, com base no monitoramento semanal realizado pelas equipes que atuam nos territórios.

O distrito atende aproximadamente 17.890 indígenas distribuídos em 154 aldeias, 12 polos-base e nove municípios dos dois estados.

Baixa dos rios dificulta acesso às aldeias

Das 29 comunidades afetadas, 20 apresentam comprometimento parcial do acesso. A navegação ainda é possível, mas apenas com embarcações menores, como rabetas e barcos equipados com motores de 15 HP.

Em outras oito aldeias, o acesso é considerado severamente comprometido. A redução do nível dos rios dificulta ou impede a entrada das embarcações normalmente utilizadas pelas equipes de saúde.

Os impactos foram identificados nos municípios de Maués e Barreirinha, no Amazonas, e Aveiro, no Pará. Para as áreas mais afetadas, o DSEI avalia a necessidade de transporte aéreo para garantir a continuidade dos atendimentos.

Moradores precisam caminhar para receber atendimento

Uma das situações mais críticas ocorre na aldeia Lírio do Vale, do Polo-Base Vila Nova II, em Maués.

Com a redução do nível do rio, as equipes de saúde não conseguem chegar regularmente à comunidade. Por isso, os moradores precisam caminhar cerca de 1h30 até a aldeia Terra Nova, onde recebem atendimento.

O DSEI mantém contato com o Agente Indígena de Saúde (AIS) da comunidade e avalia a limpeza de uma área que possa ser utilizada como ponto de pouso para aeronaves.

A medida permitiria o deslocamento das equipes de saúde por via aérea enquanto as condições de navegação permanecerem prejudicadas.

Monitoramento começou em abril

O acompanhamento das condições de acesso às aldeias é realizado pelas próprias equipes que atuam nos territórios. Segundo Tatiana Rodrigues, enfermeira do Núcleo 1 de Monitoramento de Indicadores e Situações de Saúde do DSEI Parintins, o registro das condições dos rios passou a ser feito semanalmente desde abril.

Os profissionais informam o nível dos rios, as condições de navegabilidade e as possibilidades de acesso às comunidades. Os dados são integrados ao sistema utilizado para acompanhar doenças, agravos e outras situações de saúde nos territórios.

“Quando a gente tem uma aldeia impactada com o nível do rio que não permite chegar mais uma lancha maior, eles já começam a nos informar, e vamos traçando as estratégias para acessar aquela aldeia de outras formas”, explicou Tatiana.

Segundo a enfermeira, o monitoramento permite identificar antecipadamente as comunidades que podem precisar de alternativas de transporte e adaptar o planejamento das ações de saúde.

Seca também afeta acesso a alimentos

Além de dificultar o deslocamento das equipes, a vazante dos rios interfere na rotina das comunidades e pode comprometer o acesso a alimentos e outros insumos.

O DSEI Parintins articula ações com prefeituras do Baixo Amazonas, Defesa Civil, Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Ministério da Saúde e Secretaria de Saúde Indígena (SESAI).

As articulações buscam viabilizar o envio de alimentos e outros insumos para as comunidades mais afetadas enquanto as condições de transporte permanecem prejudicadas.

Onde as embarcações não conseguem mais chegar, o transporte aéreo é avaliado como alternativa para manter a assistência.

O monitoramento semanal deve continuar durante a estiagem para acompanhar a evolução da vazante e identificar as aldeias que apresentarem maior dificuldade de acesso.

Você também pode gostar

Editorias