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Foto: reenpeace/Divulgação
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Relatório do projeto Amazônia 2030 afirma que falta de oportunidades econômicas fortalece apoio a atividades que avançam sobre a floresta e defende geração de emprego como estratégia de conservação

A falta de oportunidades econômicas e os baixos salários na Amazônia contribuem para ampliar a pressão pelo desmatamento e dificultam a consolidação de políticas de preservação ambiental. A conclusão é do relatório Rematamento Produtivo, Conservação e Desenvolvimento Econômico na Amazônia Brasileira, divulgado pelo projeto Amazônia 2030.

Segundo o estudo, a elevada informalidade e a vulnerabilidade social fazem com que parte da população enxergue as medidas de proteção ambiental como um entrave ao desenvolvimento, diante da escassez de alternativas de geração de renda. Na Amazônia Legal, o rendimento médio mensal por pessoa é de R$ 654, valor inferior aos R$ 1.074 registrados nas demais regiões do país.

O relatório destaca que esse cenário também influencia o comportamento político da população, favorecendo propostas voltadas à geração imediata de empregos e à expansão da infraestrutura, mesmo quando associadas a riscos ambientais.

Para os pesquisadores, ações de fiscalização e combate ao desmatamento continuam sendo necessárias, mas tendem a enfrentar resistência quando não são acompanhadas por políticas capazes de promover desenvolvimento econômico sustentável. Em depoimento citado no estudo, o empresário Denis Minev afirma que, sem alternativas viáveis de renda, as medidas de comando e controle acabam sendo percebidas como uma ameaça ao futuro das comunidades locais.

O levantamento mostra ainda que o Amazonas concentra a maior parte da chamada Amazônia Florestal, mas já perdeu aproximadamente 8 milhões de hectares de vegetação nativa. Metade desse desmatamento ocorreu após 2004, indicando que a pressão continua avançando sobre áreas preservadas. Os autores alertam que a expansão desordenada da infraestrutura pode aproximar a região do chamado “ponto de não retorno”, com impactos sobre o regime de chuvas e o clima em diferentes partes do país.

Como alternativa, o estudo propõe o chamado rematamento produtivo, modelo que prevê o aproveitamento de áreas já desmatadas e de pastagens degradadas para o cultivo comercial de espécies nativas e tropicais de alto valor econômico. A proposta busca recuperar áreas alteradas, ampliar a bioeconomia, atrair investimentos privados e criar empregos permanentes, conciliando desenvolvimento econômico com a conservação da floresta.

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