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Foto: Pixabay
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Pesquisa publicada em revista científica identificou mais de 35 mil ovos de Aedes albopictus em uma torre de seis andares e aponta a necessidade de ampliar a vigilância em edifícios

Um estudo realizado em Manaus identificou ovos do mosquito Aedes albopictus em diferentes alturas de uma torre, inclusive a 10,8 metros do solo. O resultado indica que moradores de apartamentos também podem estar expostos à presença do inseto, conhecido por sua capacidade de transmitir arboviroses, como dengue, zika, chikungunya e febre amarela.

Publicado na sexta-feira (9), na revista científica EntomoBrasilis, o levantamento reuniu pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Pesquisa encontra mais de 35 mil ovos

Para avaliar até que altura o mosquito consegue depositar ovos, os pesquisadores instalaram 30 armadilhas em diferentes níveis de uma torre de seis andares, localizada em um fragmento de floresta urbana de Manaus.

Durante dez semanas, ao longo dos períodos seco e chuvoso de 2015, o levantamento identificou mais de 35 mil ovos. A maior concentração ficou nos níveis próximos ao solo, principalmente até cerca de quatro metros de altura. No entanto, os pesquisadores encontraram ovos em todos os níveis avaliados, incluindo o ponto situado a 10,8 metros.

Para o pesquisador do Inpa Adriano Nobre Arcos, um dos autores do estudo, o resultado demonstra que os andares elevados não estão necessariamente livres da presença do mosquito.

Vasos e calhas podem favorecer a reprodução

Edifícios podem oferecer condições para a permanência do Aedes albopictus, especialmente quando há recipientes que acumulam água, como vasos de plantas e calhas. Locais de abrigo e a presença de pessoas e animais, que podem servir como fonte de sangue, também favorecem a permanência dos insetos.

Embora a espécie esteja disseminada pelo Brasil, sobretudo em áreas rurais e periurbanas, não há registro de transmissão de dengue pelo Aedes albopictus no país.

Segundo o pesquisador, estudos já identificaram infecção natural pelo vírus da dengue em exemplares do mosquito. Além disso, populações brasileiras demonstraram capacidade de transmitir o vírus em testes laboratoriais. Por esse motivo, a espécie permanece sob acompanhamento científico.

Vigilância deve incluir andares elevados

Os resultados reforçam a necessidade de ampliar as ações de prevenção em áreas urbanas com edifícios residenciais. Tradicionalmente, as inspeções para identificar criadouros se concentram em quintais e locais próximos ao solo. No entanto, os pesquisadores destacam que varandas, áreas comuns, calhas e outros espaços elevados também devem entrar no monitoramento.

O estudo identificou ainda uma relação entre a umidade do ar e a quantidade de ovos durante a estação seca. Nesse período, a umidade explicou 34% da variação na abundância registrada.

Como o mosquito chega aos andares mais altos?

A forma como o inseto alcança os níveis superiores dos edifícios ainda precisa ser esclarecida. Entre as hipóteses investigadas estão o deslocamento pelo próprio voo e o transporte passivo, que pode ocorrer por elevadores ou pelo movimento de pessoas.

Como próximos passos, os pesquisadores pretendem monitorar a espécie continuamente para avaliar os efeitos da sazonalidade e das mudanças climáticas. Outra frente de investigação prevê a análise de mosquitos capturados em diferentes andares para verificar a presença de arbovírus e estimar com maior precisão o risco de transmissão em áreas urbanas.

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