Sensores registraram níveis elevados de poluição em bairros de Manaus e cidades do interior nesta terça-feira (20)
A qualidade do ar em Manaus variava de moderada a muito ruim na manhã desta terça-feira (20), em meio à fumaça provocada pelos incêndios florestais no Amazonas. Por volta das 7h30, o sistema internacional IQAir registrava concentração de partículas finas de 23,8 microgramas por metro cúbico (µg/m³) na capital. Já os sensores do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), apontavam índices mais elevados em alguns bairros.
No Morro da Liberdade, a concentração era de 116,3 µg/m³, classificada como muito ruim. Na Cidade Nova, o registro chegou a 77,6 µg/m³, também na faixa muito ruim. No Parque Dez de Novembro, o índice era de 42,7 µg/m³, enquanto no Distrito Industrial alcançava 38,7 µg/m³.
Qualidade do ar no interior
Os sensores também registraram diferentes níveis de poluição em municípios do interior e da Região Metropolitana de Manaus.
Em Manacapuru, os índices eram de 78 e 57,2 µg/m³. Em Itacoatiara, os registros chegaram a 37,1 e 44,2 µg/m³, enquanto em Iranduba variavam entre 37,5 e 40,1 µg/m³.
Em Careiro da Várzea, a concentração era de 49 µg/m³. No Careiro e em Manaquiri, os registros chegaram a 78 µg/m³ em cada município. Rio Preto da Eva apresentou índices de 48,2 e 43,4 µg/m³, enquanto Autazes registrou 40,5 e 42 µg/m³.
Em Boca do Acre, os sensores apontaram 89,3, 17,4 e 32,9 µg/m³. Em Lábrea, os valores foram de 0,5, 31,6 e 29,9 µg/m³. Caapiranga registrou 89,4 µg/m³.
Em Parintins, a concentração era de 76,4 µg/m³. Na Vila Amazônia, o índice chegou a 79,3 µg/m³.
Aulas presenciais seguem suspensas
A Secretaria Municipal de Educação (Semed) manteve suspensas as aulas presenciais da rede municipal de Manaus nesta terça-feira, devido à qualidade do ar.
A medida foi anunciada na noite de segunda-feira (19), após a capital registrar concentração média de partículas finas de 67,6 µg/m³. A previsão para as 24 horas seguintes indicava possibilidade de piora, com picos de até 132 µg/m³.
Na rede estadual, as aulas presenciais também estão suspensas em Manaus e Autazes, em todos os turnos, até sexta-feira (23). Segundo a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar, a decisão segue recomendações dos órgãos responsáveis pelo monitoramento ambiental.
A pasta informou que prepara orientações para escolas, professores e alunos durante a suspensão e que a reposição das atividades pedagógicas será organizada pelas unidades de ensino.
Base de saúde reforça atendimento na região
O Ministério da Saúde inaugura nesta terça-feira a Base Regional Norte I da Força Nacional do SUS (FN-SUS), em Manaus. A estrutura atenderá emergências de saúde pública no Amazonas e em Roraima, com mobilização de equipes e suprimentos para municípios do interior, comunidades ribeirinhas, terras indígenas e áreas de difícil acesso.
A base começou a operar antecipadamente em 16 de outubro para apoiar as ações de saúde diante dos impactos da estiagem, das queimadas e da fumaça.
Entre os dias 1º e 17 de outubro, Manaus registrou 559 atendimentos de saúde relacionados à exposição à fumaça, segundo dados da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas.
Incêndios provocam fumaça na capital e no interior
Incêndios florestais atingem municípios do Amazonas desde o fim de agosto. Em Itacoatiara, um foco na região do Rio Urubu permaneceu ativo por mais de 40 dias. Outro incêndio, na região do Lago do Canaçari, destruiu mais de 1,3 mil hectares.
Em Manaus, um incêndio em um terreno no Distrito Industrial II durou mais de 48 horas e contribuiu para a piora da qualidade do ar na região.
A fumaça também atingiu municípios como Itacoatiara, Manacapuru e Autazes. Na capital, as condições ambientais levaram ao cancelamento de atividades ao ar livre e à suspensão de aulas nas redes públicas de ensino. A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) também interromperam atividades presenciais.
Governo federal reforça combate às queimadas
No domingo (18), o governo federal anunciou o reforço das operações de combate aos incêndios no Amazonas, com mobilização de aeronaves, helicópteros, navios e brigadistas.
As medidas incluem a criação de um Estado-Maior Conjunto para coordenar a atuação das Forças Armadas e dos órgãos envolvidos no combate ao fogo. O anúncio foi feito durante uma coletiva na sede da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), após reunião entre representantes dos governos federal e estadual.
A estrutura busca agilizar decisões e a mobilização de recursos para conter os incêndios e reduzir os impactos da fumaça sobre a população.



