LCM Construção e Comércio S.A foi aceita para obras entre os km 433,1 e 469,6; outros contratos somam mais de R$ 362 milhões e seguem em andamento
As licitações para reconstrução do trecho do meio da BR-319 continuam avançando no governo federal. O pregão referente ao segmento entre os km 433,1 e 469,6 habilitou a empresa LCM Construção e Comércio S.A para realizar a repavimentação, com investimento de R$ 144,3 milhões — um desconto de 31% em relação ao valor estimado pelo governo.
A obra já possui outra licitação encerrada e homologada, no valor de R$ 362 milhões, para o trecho entre os km 469,6 e 590,1, vencida pela Construtora Etam Ltda. A ordem de serviço foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua última visita ao Amazonas.
Ainda restam dois pregões avaliados em R$ 809,8 milhões, relativos aos trechos entre os km 250,7 a 346,2 e 346,2 a 433,1, que seguem em fase de seleção de fornecedores.
Disputa judicial e licenciamento ambiental
Os editais foram inicialmente suspensos pela Justiça Federal após ação do Observatório do Clima, mas o TRF-1 derrubou a liminar, permitindo a continuidade das licitações. O Dnit republicou os editais em abril e maio, e parte deles já foi concluída.
O Ibama também concedeu licença de instalação para três pontes de concreto no trecho do meio da rodovia, condicionando a execução a programas de monitoramento ambiental, controle de erosão e prevenção de incêndios.
Impacto logístico e econômico
Para o setor empresarial, a repavimentação da BR-319 representa uma oportunidade de reduzir gargalos logísticos. Segundo Irani Bertolini, presidente da Fetramaz, o tempo de transporte de cargas do Sudeste poderá cair de 15 para 9 dias, diminuindo custos e aumentando a circulação de caminhões.
Durante a TranspoAmazônia 2026, o presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Vander Costa, destacou a importância da rodovia diante da possibilidade de seca severa provocada pelo El Niño:
“Se não tiver a BR funcionando e o rio estiver seco, vai faltar alimento, remédio e atendimento para as comunidades ribeirinhas. Precisamos pensar grande para o Brasil, com responsabilidade ambiental, mas permitindo o desenvolvimento.”
A BR-319 segue como uma das obras mais estratégicas e polêmicas da infraestrutura nacional, equilibrando demandas de desenvolvimento regional e preservação ambiental.



