Política e Economia

Foto: Ricardo Stuckert
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Presidente afirma que obra vai sair do papel, mas será feita em comum acordo com ambientalistas e autoridades locais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou, em entrevista exclusiva à Rede Amazônica em Brasília, que a recuperação da BR-319 vai sair do papel. A rodovia, única ligação terrestre entre Manaus e o restante do país, será reconstruída com equilíbrio entre desenvolvimento e preservação ambiental, segundo o chefe do Executivo.

“Vamos fazer a BR-319, eu posso te garantir. Mas vamos fazer de comum acordo com os ambientalistas, com aqueles que precisam da estrada e, sobretudo, para atender duas capitais que não podem ficar isoladas como Porto Velho e Manaus”, afirmou Lula.

Inaugurada em 1976, a BR-319 tem 885,9 quilômetros de extensão, sendo 821 km no Amazonas e 64,9 km em Rondônia. Há mais de três décadas, trechos sem pavimentação dificultam o tráfego e causam prejuízos a quem depende da via.

O presidente destacou que a obra precisa ser fruto de um pacto entre União, estados e municípios: “Não podemos fazer uma rodovia e, dois meses depois, ver o desmatamento, o grileiro criando gado onde não pode, plantando soja onde não pode. Temos que manter a floresta intocável para o bem da humanidade inteira”.

Lula também saiu em defesa da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que tem sido alvo de críticas no Congresso em relação à BR-319. “Às vezes jogam a culpa em cima da Marina. Mas a Marina nunca disse que é proibido fazer. O que ela quer discutir é como fazer. E se for bem feito, é melhor para todo mundo”, disse.

O governo federal anunciou a criação de uma comissão interministerial para conduzir uma Avaliação Ambiental Estratégica (AAE) sobre a recuperação da estrada. A análise vai abranger uma faixa de 100 km ao redor da rodovia, incluindo terras indígenas, unidades de conservação e áreas sem destinação definida.

A obra, no entanto, enfrenta entraves na Justiça. A licença prévia do trecho central foi suspensa pela Justiça Federal após questionamentos sobre impactos ambientais, como abertura de ramais ilegais e especulação fundiária. A Advocacia-Geral da União (AGU) defende a manutenção da licença, lembrando que 55% da área no entorno da rodovia já é composta por unidades de conservação reconhecidas.

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