Política e Economia

Foto: Junio Matos
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Ato em memória das vítimas da pandemia emocionou familiares e reacendeu lembranças da crise sanitária e da falta de oxigênio vivida no Amazonas

Manaus foi uma das seis capitais brasileiras a participar da campanha nacional em homenagem às vítimas da Covid-19. A ação ocorreu nesta segunda-feira (11), no Centro Cultural Casarão de Ideias, no Centro da capital amazonense, com projeções na fachada do espaço em memória das mais de 700 mil vítimas da pandemia no Brasil.

A iniciativa integra a campanha do Ministério da Saúde em reconhecimento à memória coletiva e aos impactos provocados pela pandemia no país.

Familiares de vítimas acompanharam emocionados a homenagem. Entre eles estava o advogado Rodrigo Dias, que perdeu o irmão, Sandro Dias, em janeiro de 2021, durante o período mais crítico da pandemia no Amazonas.

“É a lembrança de quem perdeu, de quem viveu, de quem carregou e foi atrás de cilindros de oxigênio”, afirmou.

Rodrigo também relembrou o impacto psicológico deixado pela crise sanitária e criticou a falta de responsabilização diante das mortes registradas no estado.

Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19

Também nesta segunda-feira (11), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o Projeto de Lei nº 2.120/2022, que institui o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19, celebrado em 12 de março, data que faz referência à primeira morte pela doença registrada no Brasil.

Em Manaus, a primeira morte causada pelo coronavírus foi registrada em 24 de março de 2020. A capital amazonense se tornou um dos principais símbolos da crise sanitária no país, especialmente durante o colapso do sistema de saúde em janeiro de 2021, marcado pela falta de oxigênio medicinal nos hospitais.

Lembranças da crise do oxigênio

A acadêmica de fisioterapia Eucineide Figueiredo também participou da homenagem e relembrou a morte da mãe, Helena Figueiredo, durante os dias mais críticos da crise do oxigênio em Manaus.

“Meu sentimento é de alegria por estar sendo reconhecido e de tristeza por lembrar do dia em que não consegui fazer nada pela minha mãe”, disse.

Segundo ela, a experiência vivida durante a pandemia motivou sua escolha pela profissão de fisioterapeuta.

Memória e resistência

O diretor do Casarão de Ideias, João Fernandes, destacou a importância de preservar a memória das vítimas e refletir sobre os impactos sociais da pandemia.

“É um ato de memória. Nós que falamos de cultura e resistência entendemos que essa lembrança é fundamental”, afirmou.

A homenagem reacendeu lembranças de um dos períodos mais dolorosos da história recente do Amazonas, marcado por hospitais lotados, enterros em massa e milhares de famílias afetadas pelas consequências da pandemia.

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