Ciência e Tecnologia

Foto: Midia Ninja
Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp

Cúpula dos Povos reúne indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais em defesa da justiça climática e do protagonismo amazônico nas decisões globais

Com o início da COP30, nesta segunda-feira (10), em Belém (PA), movimentos sociais e organizações civis deram início a uma agenda paralela à conferência oficial, com o objetivo de cobrar ações mais efetivas contra a crise climática e reforçar o papel das populações amazônicas nas discussões ambientais globais.

O evento, chamado Cúpula dos Povos por Justiça Climática, reúne coalizões, coletivos, redes e movimentos populares do Brasil e do exterior. A proposta é se consolidar como um contraponto à “captura corporativa” das negociações multilaterais e às chamadas “falsas soluções climáticas” apresentadas nas últimas conferências.

Segundo o manifesto “Da Amazônia para o mundo: basta de desigualdades e racismo ambiental, justiça climática já!”, a COP30 precisa marcar um ponto de virada nas políticas globais de enfrentamento às mudanças climáticas. “É hora de transformar promessas em ações concretas”, diz o documento.

Marcha Global pelo Clima

A principal mobilização da agenda será a Marcha Global pelo Clima, marcada para o próximo sábado (15), que deve reunir mais de 1.100 organizações e movimentos de diferentes países. A manifestação pretende ser a maior mobilização popular por justiça social e climática do mundo, com protestos simultâneos em vários continentes.

Em Belém, a Marcha contará com a participação da COP do Povo, formada por associações de base amazônicas, e da Aldeia COP, um espaço multiétnico com capacidade para três mil indígenas — número que pode representar recorde de presença indígena em uma conferência do clima.

Outras atividades também estão programadas, como uma bicicletada, para simbolizar a mobilidade sustentável, e uma barqueata com mais de 100 embarcações, reunindo caravanas da Amazônia e de países vizinhos como Colômbia, Equador e México, membros da Aliança dos Povos pelo Clima.

“COP das ruas” e crítica à militarização

Para os organizadores, esta deve ser a “COP das ruas”, em oposição ao distanciamento das decisões oficiais. “Queremos fazer frente à indústria fóssil, que estará novamente na conferência com forte lobby”, afirmou Katharin Henneberger, ex-deputada alemã e integrante do grupo Flotilla pela Mudança, que reúne cerca de 50 ativistas e cientistas de vários países.

As manifestações também expressam preocupação com o anúncio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o uso da Garantia da Lei e da Ordem (GLO) durante o evento. Para os movimentos sociais, a medida representa “ameaça à participação democrática” e pode reforçar o racismo institucional, segundo documento entregue ao Ministério Público Federal (MPF).

Protagonismo periférico

Além da Cúpula dos Povos, Belém recebe outra iniciativa inédita: as Yellow Zones, espaços criados nas periferias e baixadas da cidade para debater os efeitos das mudanças climáticas na vida cotidiana — como enchentes, alagamentos e ondas de calor.

“A gente quer chegar nesse lugar de justiça social e reparação para as periferias que estão sediando a conferência e desejam se ver incluídas nesse mundo novo”, afirmou Jean Ferreira, fundador do Gueto Hub, ao defender a descentralização das discussões da Blue Zone, área reservada aos negociadores oficiais.

A Cúpula dos Povos será encerrada com a entrega de uma declaração final ao presidente da conferência, André Corrêa do Lago, reunindo as principais demandas construídas ao longo das plenárias e debates que acontecem no campus da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Para Maureen Santos, cientista política e representante do Grupo Carta de Belém, o momento é simbólico: “A Cúpula quer reafirmar o poder das vozes populares diante das falsas soluções e do avanço da extrema direita. A Amazônia precisa falar por si.”

Você também pode gostar

Editorias