Lábrea, Boca do Acre, Autazes e Itacoatiara somaram 614 focos de calor nos dez primeiros dias de outubro, segundo o Inpe
Quatro municípios do Amazonas estão entre os 20 do Brasil com mais focos de queimadas nos dez primeiros dias de outubro de 2026, segundo dados do sistema BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Lábrea, no sul do estado, aparece na quarta posição nacional, com 214 focos de calor. Juntos, Lábrea, Boca do Acre, Autazes e Itacoatiara registraram 614 ocorrências no período.
Boca do Acre ocupa a oitava posição, com 174 focos, enquanto Autazes aparece em décimo lugar, com 151 registros. Itacoatiara completa a lista de municípios amazonenses entre os 20 com mais ocorrências no país, com 75 focos.
No Amazonas, foram registrados 1.380 focos de incêndio entre 1º e 10 de outubro, conforme dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam). O número representa aumento de 271% em relação ao mesmo período de 2025, quando o estado contabilizou 372 registros.
Focos atingem áreas públicas e protegidas
A maior parte das ocorrências foi registrada em áreas públicas, que concentraram 1.186 focos. O levantamento também identificou 246 registros em assentamentos federais, 116 em terras indígenas e 97 em unidades de conservação.
Diante do avanço das queimadas, uma comitiva do governo federal sobrevoou áreas afetadas no domingo (11), incluindo a região de Autazes. Durante a inspeção, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que a situação era mais grave do que esperava e relatou a presença de focos de incêndio em áreas de floresta preservada.
“Mais grave do que eu imaginava depois de fazer o sobrevoo, porque nós identificamos muitos focos de incêndio no meio da floresta preservada. Inúmeros focos”, declarou o ministro, que também cobrou a punição dos responsáveis.
Governo federal mobiliza aeronaves e brigadistas
Para reforçar o combate às chamas, o governo federal mobilizou 11 aeronaves, incluindo aviões do modelo Air Tractor e cargueiros KC-390, além de brigadistas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
No sábado (10), o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) reconheceu a situação de emergência em 36 municípios amazonenses. A medida permite ampliar a atuação integrada das equipes de resposta e viabilizar o acesso a recursos federais para atender às localidades afetadas.
Fumaça compromete qualidade do ar
O avanço dos incêndios também afeta a qualidade do ar no Amazonas. Manaus e municípios da Região Metropolitana registraram dias consecutivos de intensa concentração de fumaça, com índices classificados como péssimos em pontos da capital e em cidades como Careiro da Várzea e Careiro.
Na segunda-feira (12), Manaus registrou índice de qualidade do ar de 195 na plataforma IQAir, classificação considerada insalubre. No bairro Armando Mendes, a concentração de partículas finas chegou a 218,2 microgramas por metro cúbico, segundo o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
A Prefeitura de Manaus mantém o estado de atenção decretado em 24 de setembro. As autoridades também orientam a população a evitar atividades físicas ao ar livre durante os períodos de maior concentração de fumaça e a procurar atendimento de saúde em caso de sintomas respiratórios.
O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, destacou que a resposta à crise envolve tanto o combate direto aos incêndios quanto a assistência às pessoas afetadas.
“Uma coisa é enfrentar em todas as frentes e empregar toda a força que puder, Governo Federal junto com o Estado e municípios, para apagar o fogo. A outra é assistir pessoas que já estão, de alguma forma, precisando de ajuda humanitária, de assistência médica como resultado do incêndio”, afirmou. Segundo ele, equipes da Força Nacional do SUS já atuam no estado.



